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Call diário 1/9/2026 | PIB, Brent e Fed | Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 1 de set. de 2026 14:32:08

MORNING CALL – NOVA FUTURA

1º de setembro | Terça-feira

Juros globais voltam ao topo, Brent flerta com US$ 92 e PIB testa até onde o Copom consegue cortar

Setembro começa com uma combinação que exige atenção do trader: petróleo novamente pressionando inflação, yields globais nos maiores níveis em quase duas décadas e o mercado aumentando para perto de 70% a aposta de alta do Fed já neste mês.

No Brasil, a direção é oposta. O PIB do segundo trimestre deve confirmar perda de velocidade da economia e reforçar o corte da Selic. Mas a curva longa tem outro assunto para resolver: o PLOA de 2027 promete superávit, porém depende de premissas que o mercado ainda precisa comprar.

O JURO GLOBAL SUBIU DE ANDAR

Índice de yields soberanos da Bloomberg atinge o maior nível desde 2008.

A pressão combina petróleo mais caro, inflação persistente, oferta elevada de dívida pública e demanda gigantesca por capital para financiar a expansão da inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, o Treasury de 30 anos atravessa sua pior sequência desde 2006.

Comentário: Isso já não é apenas uma discussão sobre a próxima reunião do Fed. O mundo está ficando mais caro para financiar. E quando o custo estrutural do dinheiro sobe, valuation, dívida pública e empresas alavancadas começam a disputar o mesmo oxigênio.

FED EM SETEMBRO JÁ NÃO É MAIS HIPÓTESE REMOTA

Mercado coloca perto de 70% de probabilidade em uma alta de 25 pontos-base.

Warsh mudou a leitura em Jackson Hole e a retomada da alta do petróleo reforçou a preocupação com inflação.

Agora, Jolts hoje e payroll na sexta-feira ajudam a decidir se setembro será confirmado ou devolvido.

Comentário: A barra mudou de lado. Antes, os dados precisavam justificar uma alta. Agora talvez precisem ser fracos o suficiente para impedir uma. Essa diferença é enorme para Treasury, dólar e Nasdaq.

BRENT EM US$ 92: ORMUZ VOLTA A COBRAR PEDÁGIO

Petróleo estende alta com retomada dos confrontos no Oriente Médio.

O Brent trabalha perto de US$ 92, depois de novos episódios militares entre Estados Unidos e Irã.

Apesar dos sinais diplomáticos, o risco de escalada continua presente.

Comentário: O petróleo virou o imposto invisível desta discussão monetária. Cada US$ 5 que o Brent recupera torna mais difícil para os bancos centrais declararem vitória sobre a inflação. E o mercado já percebeu isso.

PIB HOJE PODE CARIMBAR O CORTE NÃO O CICLO INTEIRO

Mercado espera crescimento de apenas 0,4% no segundo trimestre, contra 1,1% no primeiro.

A desaceleração deve refletir menor impulso fiscal e condições financeiras ainda bastante restritivas.

O dado se soma ao Caged fraco e aos sinais recentes de desinflação.

Comentário: Se vier nessa direção, setembro fica ainda mais confortável para o Copom. Mas existe uma diferença importante: PIB fraco autoriza o primeiro corte. Fed, petróleo, fiscal e câmbio decidem quantos vêm depois.

PLOA PROMETE SUPERÁVIT O MERCADO QUER VER A PONTE

Orçamento de 2027 projeta resultado efetivo positivo de R$ 18,6 bilhões.

A meta formal é de superávit de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões.

Mas o projeto trabalha com crescimento do PIB de 2,46% em 2027, acima do consenso de mercado próximo de 1,5%, além de prever forte aumento das receitas e queda relativa de algumas despesas obrigatórias.

Comentário: É aqui que mora o risco. O mercado não está discutindo se a planilha fecha no Excel. Está discutindo se fecha no mundo real. Quanto mais otimista a premissa, maior o prêmio que a curva longa pode exigir.

DÍVIDA EM 82,5% DO PIB AUMENTA O PESO DA EXECUÇÃO

Dívida Bruta alcança maior patamar fora do período da pandemia.

A DBGG chegou a 82,5% do PIB, justamente quando o governo tenta convencer investidores de que o resultado de 2027 mudará a trajetória fiscal.

Comentário: Essa é a diferença entre superávit e sustentabilidade. Um ano no azul ajuda. Uma trajetória confiável da dívida muda o preço do Brasil. O DI longo quer a segunda coisa.

LULA FALA EM JURO MENOR EMPRESÁRIOS DEVOLVEM O ASSUNTO PARA O FISCAL

Presidente reúne grandes nomes do mercado e reconhece necessidade de compatibilizar políticas monetária e fiscal.

Segundo os relatos, Lula disse que fará o possível para reduzir os juros, respeitando a independência do Banco Central.

Fiscal e segurança pública apareceram entre as principais preocupações apresentadas no encontro.

Comentário: Essa conversa contém uma equação simples: para o BC conseguir cortar mais, o governo precisa ajudar a curva a acreditar que não terá de subir depois. Juro não cai de forma sustentável apenas por vontade política. Cai quando o risco cai.

TESOURO RECEBE R$ 178 BILHÕES E VOLTA AO MERCADO COM LFT

Megavencimento de pós-fixados coloca liquidez e reinvestimento no radar.

Vencem hoje aproximadamente R$ 178,4 bilhões em LFTs, enquanto o Tesouro oferece novos papéis pós-fixados e NTN-Bs.

Comentário: Esse dinheiro não desaparece. Ele precisa encontrar destino. Quanto dele volta para a dívida pública e a qual prêmio ajuda a medir a confiança do investidor em continuar financiando o Tesouro.

IBOVESPA CHEGA A NOVE ALTAS E A POLÍTICA VIROU COMBUSTÍVEL

Índice encerrou agosto em 177.419 pontos depois de nove pregões consecutivos de alta.

A redução da diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas ajudou a sustentar compras, principalmente em estatais e empresas mais sensíveis ao cenário doméstico.

Petrobras ON subiu mais de 4% na segunda-feira.

Comentário: O mercado está transformando pesquisa eleitoral em preço com enorme velocidade. Isso aumenta o potencial de alta e também o risco de correção a cada nova pesquisa. Quaest amanhã e Datafolha quinta podem significar volatilidade imediata.

DÓLAR EM R$ 5,18 AINDA TEM O CARRY MAS O FED ESTÁ BATENDO NA PORTA

Real melhora com o movimento doméstico, apesar do aumento das apostas de alta americana.

O dólar fechou ontem próximo de R$ 5,18, enquanto o diferencial de juros brasileiro continua oferecendo proteção à moeda.

Comentário: O carry ainda trabalha pelo real. Mas se o Fed subir enquanto o Copom corta, esse colchão começa a diminuir. R$ 5,20 continua sendo uma linha importante entre tranquilidade cambial e retomada do prêmio defensivo.

GERDAU AUMENTA O GUARDA-CHUVA DE LIQUIDEZ

Companhia amplia linha global de crédito para US$ 1,125 bilhão.

A facilidade foi elevada de US$ 875 milhões para US$ 1,125 bilhão, com prazo de cinco anos, permanecendo não sacada.

Comentário: Num mundo de juros longos subindo, liquidez disponível ganha valor. Crédito contratado antes da chuva costuma valer mais quando o mercado começa a fechar o guarda-chuva.

RADAR DIRETO PARA O TRADER

Yields globais: maior pressão desde 2008 no índice da Bloomberg.

Fed: mercado aproxima setembro de 70% de chance de alta.

Jolts: primeiro teste do emprego americano nesta semana.

Payroll: grande decisão macro de sexta-feira.

Brent: perto de US$ 92 recoloca inflação na mesa.

PIB Brasil: expectativa de +0,4% no trimestre; importante para o DI curto.

PLOA 2027: premissas de crescimento e despesa serão escrutinadas.

Dívida/PIB: 82,5% reforça preocupação com trajetória.

Tesouro: vencimento de R$ 178,4 bi em LFT.

Dólar: R$ 5,18 com Fed e Copom caminhando em sentidos opostos.

Ibovespa: nove altas seguidas; pesquisas ganham enorme poder de preço.

Quaest/Datafolha: próximos gatilhos políticos da semana.

LEITURA DA MESA

Setembro começa com uma divergência que pode definir o mês inteiro: o Brasil desacelera e pede juros menores justamente quando o mundo volta a pedir juros maiores. Warsh endureceu, o petróleo retornou aos US$ 92 e os yields globais foram ao maior nível desde 2008. Aqui, PIB fraco ajuda o Copom, mas dívida em 82,5% e um Orçamento baseado em premissas otimistas lembram que não basta ter espaço para cortar. É preciso ter credibilidade para continuar.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.