MORNING CALL NOVA FUTURA
9 de setembro | Quarta-feira
Brent rompe US$ 100, Treasury volta a apertar e Brasil insiste em negociar eleição
A quarta-feira abre com uma divergência cada vez mais difícil de ignorar: o exterior aumenta prêmio de inflação e juros, enquanto o Brasil continua retirando prêmio político.
O Brent rompeu US$ 100, os Treasuries voltaram a pressionar e o mercado mantém elevada a chance de alta do Fed. Aqui, porém, dólar abaixo de R$ 5,10, DI longo em queda e Ibovespa perto dos 190 mil mostram que o trade eleitoral continua falando mais alto. Ao mesmo tempo, a crise entre STF, PF e AGU ganhou nova rodada e começa a exigir atenção também pelo lado institucional.
Petróleo supera US$ 100 pela primeira vez desde julho com nova escalada entre EUA e Irã.
Forças americanas destruíram petroleiros iranianos, Teerã respondeu com novos ataques e o risco sobre as rotas do Golfo aumentou.
O Brent chegou a US$ 100,69 nesta manhã.
Comentário: A barreira psicológica foi vencida.
A partir daqui, petróleo deixa de ser apenas risco geopolítico e passa a pressionar diretamente inflação, Treasury e bancos centrais.
Payroll forte já havia elevado as apostas de alta; petróleo agora reforça o problema inflacionário.
Depois dos 162 mil empregos de agosto, o mercado voltou a trabalhar com alta de juros em setembro como cenário principal.
Agora, energia mais cara aumenta a atenção sobre PPI amanhã e CPI na sexta-feira.
Comentário: O Fed ganhou uma combinação incômoda:
emprego resistente e energia acelerando.
O CPI será o dado capaz de confirmar ou interromper esse roteiro.
Yield americano opera perto das máximas de 2023.
A curva reage ao petróleo, à inflação e à perspectiva de Fed mais duro.
Scott Bessent deve anunciar ampliação das recompras de Treasuries de prazo mais longo.
Comentário: Aqui existe uma disputa importante.
O Tesouro tenta aliviar a pressão técnica; o fundamento continua pressionando na direção oposta.
Se o yield não responder às recompras, o sinal para ativos de risco fica pior.
Ibovespa sobe, dólar cai e DI fecha apesar do petróleo e dos juros globais.
Desde o início de setembro, o EWZ acumula avanço muito superior ao EEM, reforçando o caráter doméstico do movimento.
Ontem, o Ibovespa fechou em 187.366 pontos, enquanto o dólar caiu para R$ 5,0858.
Comentário: Descolamento pode durar.
Mas nunca é gratuito.
Quanto mais o Brasil ignora o exterior, maior a necessidade de o fator doméstico continuar entregando notícia favorável.
Jan/31 caiu abaixo de 14%, enquanto a ponta curta praticamente não se mexeu.
Jan/31 fechou em 13,905% e Jan/29 em 13,715%, com forte retirada de prêmio político.
A ponta curta ficou praticamente estável.
Comentário: A curva está sendo muito clara:
o mercado não está precificando apenas Selic. Está precificando governo, fiscal e credibilidade futura.
Esse é hoje o coração do trade doméstico.
Quaest e BTG/Nexus reforçaram empate técnico e pesquisas estaduais ampliaram a força da oposição em grandes colégios.
Flávio aparece numericamente à frente em São Paulo, Minas e Rio na pesquisa estadual citada no relatório.
Amanhã vem AtlasIntel; sexta-feira, Datafolha e Veritá.
Comentário: A eleição virou calendário macro.
Hoje, pesquisa mexe em DI, dólar e Bolsa com velocidade semelhante a payroll ou IPCA.
E quanto mais frequente o dado, mais curta fica a validade de cada movimento.
Fachin dá 72 horas para Mendonça responder ao pedido da AGU contra o afastamento da cúpula da PF.
A AGU pede suspensão da liminar que afastou o diretor-geral e o diretor de Inteligência da PF.
Gilmar Mendes também suspendeu a análise da decisão na Segunda Turma ao pedir vista.
Comentário: O problema para o mercado não é escolher lado.
É medir consequência.
Quando Judiciário, Executivo e Polícia Federal entram simultaneamente numa disputa de competência, segurança institucional passa a merecer prêmio próprio.
BC anunciou casadão de até US$ 1 bilhão para quinta-feira.
Apesar da valorização do real, operadores observaram piora no dólar casado, um indicador de liquidez entre o futuro e o à vista.
Hoje, o BC divulga o fluxo cambial às 14h30.
Comentário: Preço não conta toda a história.
Dólar caindo com estresse de liquidez é exatamente o tipo de detalhe que o trader precisa respeitar.
O fluxo de hoje ajuda a dizer se o real forte tem dinheiro efetivo por trás.
Índice tocou 189.488 pontos e posições em opções de EWZ estão em níveis não vistos desde 2007.
BofA elevou ações brasileiras para overweight e gestores vêm aumentando exposição ao país.
Comentário: Fluxo confirma a tese.
Mas também aumenta a sensibilidade.
Quando todo mundo começa a enxergar o mesmo alvo, a surpresa passa a valer mais do que o consenso.
Tesouro americano prepara ampliação das recompras de títulos longos.
A medida busca melhorar liquidez e reduzir tensões na curva, especialmente em vencimentos longos.
Comentário: A pergunta importante não é se os yields caem no anúncio.
É:
continuam caindo depois dele?
Se não continuarem, o mercado estará dizendo que a questão é estrutural, não técnica.
Companhia estima possível alta de cerca de 6,5% no custo de aeronaves com a regulamentação do Imposto Seletivo.
O impacto dependeria da preservação ou não dos atuais benefícios tributários.
Comentário: Ainda é risco regulatório, não resultado realizado.
Mas para uma indústria de capital intensivo, 6,5% de custo adicional pode alterar demanda, financiamento e competitividade.
Vale monitorar.
Brent: acima de US$ 100 pela primeira vez desde julho.
Fed: petróleo reforça viés hawkish após payroll forte.
PPI: amanhã.
CPI: sexta-feira, grande teste antes do Fomc.
Treasury 10Y: perto das máximas de 2023.
Bessent: recompra de títulos longos no foco.
Ibovespa: região de 187 mil, com 190 mil no radar.
Dólar: abaixo de R$ 5,10.
Fluxo cambial: 14h30.
BC: casadão de US$ 1 bi amanhã.
DI longo: prêmio eleitoral sendo retirado agressivamente.
Pesquisas: Atlas amanhã; Datafolha e Veritá sexta.
STF/PF/AGU: risco institucional permanece aberto.
O Brasil está fazendo uma aposta ousada: acreditar que a melhora do prêmio político consegue neutralizar petróleo a US$ 100, Treasury alto e Fed hawkish. Até agora, conseguiu. Bolsa sobe, dólar cai e o DI longo derrete. Mas essa distância entre Brasil e exterior ficou grande demais para ser ignorada. Daqui para frente, cada pesquisa precisa ajudar, cada dado de inflação precisa não atrapalhar e cada manchete institucional precisa caber no preço. Quando três condições precisam funcionar ao mesmo tempo, o trade continua bom mas deixa de ser confortável.
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