MORNING CALL NOVA FUTURA
31 de agosto | Segunda-feira
Petróleo volta a ferver, Warsh endurece o Fed e Orçamento de 2027 testa a confiança no Brasil
A semana começa com uma combinação desconfortável para o mercado: Brent novamente acima de US$ 91, Fed mais hawkish e fiscal brasileiro voltando ao centro da curva.
Kevin Warsh saiu de Jackson Hole deixando a porta aberta para uma alta já em setembro. No Brasil, o Caged muito abaixo do esperado reforça o corte da Selic, mas o PLOA de 2027 precisa convencer que o superávit projetado é executável. E a eleição aperta: Lula mantém a liderança, porém sua vantagem diminuiu nas pesquisas mais recentes.
Mercado passou a atribuir probabilidade majoritária a uma alta de 25 pontos pelo Fed em setembro.
Warsh afirmou que a meta de inflação de 2% é firme e questionou se as atuais condições financeiras são realmente restritivas.
Depois do discurso, a chance de alta em setembro chegou a cerca de 57,5%.
Comentário: Warsh fez algo importante: devolveu credibilidade anti-inflacionária ao Fed. Agora o payroll de sexta virou juiz. Emprego forte confirma a alta. Emprego fraco pode devolver setembro para o banco dos réus.
Brent rompe US$ 91 depois de novos ataques entre Estados Unidos e Irã.
Forças americanas atacaram lançadores iranianos em Ormuz, e Teerã respondeu com lançamento de mísseis.
Foi a primeira escalada militar relevante em aproximadamente um mês.
Comentário: A semana passada ensinou o risco de precificar paz antes da assinatura. Brent acima de US$ 91 recoloca inflação, Treasury e Petrobras no mesmo trade. Se Ormuz voltar a piorar, o Fed ganha mais um argumento para permanecer duro.
Brasil e Estados Unidos caminham agora em direções monetárias opostas.
Enquanto o Fed discute voltar a subir os juros, o Caged brasileiro mostrou apenas 58,6 mil vagas em julho, praticamente metade das aproximadamente 114 mil esperadas.
O dado reforçou a percepção de perda de força da economia doméstica.
Comentário: Essa divergência é boa para a parte curta do DI. Mas existe um limite. Se o Fed sobe, o dólar fortalece e o prêmio Brasil aumenta, o Copom ganha argumento doméstico para cortar e obstáculo externo para continuar.
Governo projeta superávit de 0,5% do PIB na meta e resultado efetivo positivo próximo de R$ 20 bilhões.
O Orçamento prevê meta de aproximadamente R$ 73 bilhões, mas, descontadas as exceções legais, o resultado cheio deve ficar entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões.
Ao mesmo tempo, despesas discricionárias podem crescer quase 20%.
Comentário: O mercado não vai negociar apenas a meta. Vai perguntar: de onde vem a receita, quanto da economia é permanente e quanto da despesa realmente será executado? Hoje, o melhor auditor do PLOA será o DI longo.
Caged ajuda os vértices curtos; fiscal, Fed e eleição pressionam os longos.
Na sexta-feira, o DI Jan/27 caiu para aproximadamente 13,61%, enquanto Jan/31 e Jan/33 avançaram para 14,50% e 14,63%.
Comentário: Esse movimento resume o Brasil atual. O curto negocia desaceleração. O longo negocia credibilidade. E cortar Selic não resolve sozinho a segunda parte.
Atlas mostra Lula 47,1% x Flávio 42,6%; BTG/Nexus aponta 46% x 45%.
Lula ainda lidera, mas sua vantagem na Atlas caiu de aproximadamente seis pontos para 4,5 pontos.
No BTG/Nexus, a disputa permanece tecnicamente apertada.
Quaest e Datafolha saem ainda nesta semana.
Comentário: Para o mercado, eleição apertada significa uma coisa antes de qualquer preferência política: mais cenários possíveis, mais necessidade de hedge e mais sensibilidade do DI longo e do câmbio às propostas fiscais.
Presidente reúne banqueiros e grandes empresários em jantar nesta segunda-feira.
O encontro ocorre poucos dias depois de Flávio Bolsonaro reunir representantes do mercado financeiro e setor produtivo.
A economia e a percepção empresarial devem estar no centro das conversas.
Comentário: A campanha começa a disputar não apenas voto. Começa a disputar credibilidade econômica. Para o mercado, reuniões ajudam pouco se não vierem acompanhadas de números, metas e capacidade de execução.
Entradas estrangeiras ganham consistência, apesar de agosto ainda acumular forte retirada.
O investidor estrangeiro colocou mais R$ 1,3 bilhão na sessão de quarta-feira.
Mesmo assim, agosto ainda carregava saída próxima de R$ 18,7 bilhões.
Comentário: O movimento melhorou. Mas é cedo para chamar de virada estrutural. O Brasil voltou para a lista de compras. Ainda precisa provar que saiu da lista de trades táticos.
Warsh fortaleceu o dólar globalmente e levou o câmbio doméstico a superar R$ 5,20 intraday na sexta.
A moeda chegou perto de R$ 5,23 antes de fechar em R$ 5,1965.
O diferencial de juros brasileiro continua dando proteção ao real, mas Fed, eleição e fiscal limitam apreciação adicional.
Comentário: R$ 5,20 continua funcionando como uma região psicológica importante. Acima dela, o mercado volta a discutir prêmio Brasil. Abaixo dela, volta a discutir carry.
Negociadores dos dois países conversam às 14h30.
A reunião ocorre depois da retomada do diálogo entre Lula e Trump.
O governo brasileiro tenta ampliar exceções às tarifas americanas, embora não espere reversão completa no curto prazo.
Comentário: Para Bolsa, o efeito é setorial. Qualquer ampliação de exceções pode mexer diretamente com empresas exportadoras antes mesmo de produzir impacto macro relevante.
Justiça antecipa efeitos do stay period e suspende execuções contra a companhia.
A varejista ganhou proteção de 180 dias contra cobranças enquanto conduz sua reestruturação.
Comentário: É oxigênio jurídico. Não é recuperação operacional. Stay period compra tempo. Quem precisa comprar solvência é a empresa.
Brent: acima de US$ 91 recoloca inflação na tela.
Fed: Warsh deixou setembro com viés de alta.
Payroll: principal teste externo da semana.
PLOA 2027: hoje o DI longo julga a qualidade do fiscal.
PIB amanhã: deve reforçar desaceleração doméstica.
DI curto: Caged sustenta corte da Selic.
DI longo: Fed + fiscal + eleição limitam fechamento.
Dólar: região de R$ 5,20 novamente importante.
Ibovespa: fluxo estrangeiro melhora, mas agosto ainda foi negativo.
Eleição: Atlas e BTG mostram disputa mais apertada.
Brasil-EUA: tarifas entram no radar às 14h30.
Petróleo/Petrobras: nova escalada em Ormuz devolve volatilidade.
A semana começa com uma divergência poderosa: lá fora, Warsh recolocou alta de juros na mesa; aqui, um Caged muito fraco praticamente carimba novo corte da Selic. Só que o Brasil não opera isolado. Brent acima de US$ 91, eleição mais apertada e um Orçamento que precisa provar credibilidade podem impedir a curva longa de acompanhar o curto. Hoje, o Copom ganha espaço para cortar. O governo precisa provar que merece esse espaço.
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