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Call diario 31/07/2025 | Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 31 de jul. de 2026 11:20:03

Resumo do dia 31/07

IA retoma o comando, petróleo fecha julho em alta e Santander prepara um rali na B3.

O mercado chega ao último pregão de julho com uma troca clara de liderança. A guerra no Oriente Médio continua presente, mas deixa de monopolizar os preços. O protagonismo volta para os balanços, a inteligência artificial e a política monetária.

Amazon e Microsoft mostraram que o investimento bilionário em IA pode produzir receita, escala e lucro. O resultado é uma retomada global do trade de tecnologia, com forte reação dos fabricantes de chips. A Apple, porém, lembra que bons números não bastam quando o guidance decepciona.

No Brasil, o dólar recua para perto de R$ 5,06, os juros futuros ampliam as apostas em corte da Selic e o Ibovespa recebe três gatilhos importantes: a oferta da matriz pelo Santander Brasil, o balanço da Vale e a investigação autorizada contra Lulinha.

A inteligência artificial volta a comandar o risco

O mercado retomou a tese de IA, mas agora exige retorno financeiro.

As bolsas globais avançam com a recuperação das empresas de tecnologia e semicondutores.

A Amazon superou com folga as estimativas, apoiada pelo crescimento de aproximadamente 20% da AWS e pela demanda por serviços ligados à inteligência artificial. A companhia também anunciou a intenção de investir cerca de US$ 200 bilhões em 2026, principalmente em infraestrutura tecnológica.

As ações subiram mais de 9% no after-market, reforçando o movimento iniciado pela Microsoft, que havia disparado após mostrar crescimento forte do Azure e maior clareza na monetização dos investimentos em IA.

Comentário: A tese de inteligência artificial não morreu. Ela ficou mais seletiva.

O mercado voltou a pagar por capex elevado, desde que venha acompanhado de receita, ganho de escala e geração de caixa.

A fase fácil do trade de IA terminou

O investidor voltou para a tecnologia, mas não voltou a entregar cheque em branco.

Os valuations ficaram mais razoáveis após a correção recente, mas ainda não podem ser considerados baratos.

A recuperação atual concentra-se nas empresas capazes de demonstrar retorno sobre os investimentos realizados. Negócios que apresentam apenas expansão de despesas continuam sujeitos a quedas fortes.

A Coreia do Sul registrou um movimento extraordinário, com forte valorização do Kospi e alta da SK Hynix até o limite diário, impulsionada pela retomada do interesse por chips de memória utilizados em inteligência artificial.

Comentário: O próximo estágio do trade não será "comprar qualquer empresa ligada à IA".

Será separar quem vende infraestrutura, quem captura margem e quem apenas aumenta a conta de investimentos.

Amazon entrega o que o mercado queria ver

Nuvem cresce, IA acelera e o investimento começa a encontrar receita.

A AWS voltou a apresentar expansão robusta, apoiada pelo aumento da demanda por computação, armazenamento e treinamento de modelos de inteligência artificial.

O resultado mostrou que a Amazon consegue elevar investimentos sem destruir imediatamente a rentabilidade do grupo.

A companhia agora se junta à Microsoft entre as empresas que conseguiram convencer o mercado de que os gastos com IA possuem um caminho claro de monetização.

Comentário: A Amazon não foi premiada por anunciar US$ 200 bilhões em investimentos.

Foi premiada porque mostrou que existe demanda suficiente para começar a pagar essa conta.

Apple entrega resultado, mas erra na expectativa

O balanço foi bom; o futuro apresentado ao mercado não foi.

A Apple apresentou lucro e receita acima das estimativas, com crescimento expressivo nas vendas do iPhone e avanço de dois dígitos em diferentes áreas.

Mesmo assim, as ações recuaram mais de 6% no after-market, pressionadas por uma projeção mais fraca para o trimestre seguinte e por sinais de aumento dos custos de memória e outros componentes.

Comentário: Em um mercado exigente, o passado não sustenta o preço sozinho.

A Apple bateu as estimativas, mas não entregou confiança suficiente de que conseguirá manter margens e crescimento no próximo trimestre.

Petróleo estabiliza, mas fecha julho com alta de 20%

Ormuz mostra sinais de movimento, mas a guerra mantém o prêmio no barril.

O Brent opera na região de US$ 89 por barril e caminha para encerrar julho com valorização próxima de 20%.

O mercado identificou aumento do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, o que ajuda a conter o preço. Ainda assim, a passagem permanece sob restrições e o risco sobre Bab el-Mandeb continua elevado.

A Arábia Saudita anunciou uma coalizão de 14 países destinada a proteger a navegação no Mar Vermelho, enquanto os houthis prometeram responder a qualquer ofensiva.

Comentário: A guerra deixou de produzir choque novo todos os dias, mas ainda não deixou o preço.

Enquanto Ormuz não voltar ao funcionamento normal, o petróleo continuará vulnerável a saltos rápidos provocados por manchetes.

O petróleo não manda mais sozinho

O mercado incorporou a guerra à rotina e voltou a negociar fundamentos.

Após meses de tensão, os investidores passaram a reagir menos a ataques recorrentes que não alterem de forma relevante o fornecimento de energia.

Isso abriu espaço para que balanços, inflação, juros e dados de atividade voltem a determinar a direção dos ativos.

O risco geopolítico continua alto, mas agora precisa produzir interrupção adicional da oferta para recuperar todo o protagonismo.

Comentário: O mercado não ficou menos preocupado. Ficou menos impressionável.

Para o petróleo voltar aos três dígitos, provavelmente será necessário um choque físico novo, não apenas mais uma rodada de ameaças.

Dados fracos dos EUA reduzem a pressão sobre o Fed

Inflação e crescimento abaixo do esperado enfraquecem a tese de alta imediata.

O núcleo do PCE avançou apenas 0,1% em junho, abaixo da expectativa de 0,2%.

A primeira leitura do PIB americano mostrou crescimento anualizado de 1,5% no segundo trimestre, também inferior às projeções.

Os dados vieram um dia depois de o Fed manter os juros com três votos dissidentes favoráveis à alta. Parte do mercado passou a interpretar que a barreira para um aperto imediato é mais elevada do que parecia após a reunião.

Comentário: Os dissidentes querem agir. Os dados recomendam paciência.

Warsh ganhou justificativa para esperar, mas continua exposto ao risco de os juros longos interpretarem essa paciência como complacência.

Treasury de 30 anos ainda cobra credibilidade

O curto prazo melhora, mas a ponta longa continua desconfiando do Fed.

O rendimento do título americano de 30 anos permanece acima de 5,20%, próximo dos maiores níveis em quase duas décadas.

Mesmo com inflação e PIB mais fracos, o mercado continua incorporando:

  • risco fiscal;
  • grande volume de emissão de dívida;
  • inflação acumulada acima da meta;
  • possibilidade de o Fed reagir tarde demais.

Comentário: A curva americana conta duas histórias.

A ponta curta negocia dados mais fracos. A longa negocia dívida, credibilidade e o custo futuro de uma reação tardia.

Dólar perde os 100 pontos no DXY

Warsh dovish, dados fracos e suspeita de intervenção no Japão derrubam a moeda americana.

O índice DXY caiu abaixo de 100 pontos, pressionado pela leitura mais branda do Fed e pelos indicadores americanos inferiores às expectativas.

O movimento foi reforçado por rumores de intervenção do Japão no mercado cambial para conter a fraqueza extrema do iene.

Contra o real, o dólar recuou para a região de R$ 5,06, apoiado também pelo carry trade brasileiro e pelo preço ainda elevado do petróleo.

Comentário: O real voltou a combinar dois suportes: diferencial de juros e termos de troca.

O risco é a virada eleitoral ou uma nova abertura dos Treasuries longos interromperem rapidamente essa proteção.

Copom tem corte de agosto totalmente contratado

O debate deixou de ser agosto e migrou para setembro.

A curva precifica praticamente 100% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, levando a Selic para 14%.

A convicção foi reforçada por:

  • IPCA-15 de apenas 0,06%;
  • IGP-M com deflação de 1,16%;
  • núcleo do PCE americano abaixo do esperado;
  • desaceleração gradual do mercado de trabalho;
  • dólar mais fraco.

Para setembro, as apostas estão divididas entre manutenção e uma nova redução de 0,25 ponto.

Comentário: Agosto virou consenso. Setembro virou o verdadeiro trade.

O Banco Central deve cortar e manter o discurso cauteloso, evitando transformar uma sequência de dados positivos em promessa de continuidade.

Fiscal continua impedindo uma queda maior dos juros longos

A arrecadação ajuda, mas a despesa continua vencendo a corrida.

O governo central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, levemente pior que o esperado.

No primeiro semestre, o resultado negativo atingiu aproximadamente R$ 92,2 bilhões, pior desempenho para o período desde 2020.

O setor público consolidado também deve apresentar déficit próximo de R$ 49,8 bilhões no mês.

Comentário: A inflação abre espaço para o Copom cortar. O fiscal limita até onde os juros podem cair.

Sem controle mais convincente das despesas, a ponta longa continuará recusando acompanhar integralmente o fechamento da ponta curta.

Investigação contra Lulinha entra no risco político

Novo inquérito amplia a exposição do governo às vésperas da campanha.

O ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

Segundo as informações divulgadas, a investigação apurará suspeitas relacionadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde.

A defesa afirmou que ainda não teve acesso aos autos e questionou a competência do STF e o momento da apuração.

Comentário: Neste momento, o impacto é predominantemente político, não econômico.

O mercado acompanhará se a investigação permanece restrita ao filho do presidente ou se passa a atingir membros do governo e a narrativa eleitoral de Lula.

Tereza Cristina fortalece a chapa de Flávio

A possível vice traz agronegócio, moderação e maior capacidade de coalizão.

Tereza Cristina confirmou que discutiu com Flávio Bolsonaro a possibilidade de integrar a chapa como candidata a vice-presidente.

Segundo o material de apoio, a senadora aceitou a indicação, mas a composição ainda depende do aval do PP.

A campanha também realizou mudanças na coordenação de marketing, buscando reorganização após semanas de controvérsias.

Comentário: Tereza Cristina reduz uma fragilidade importante da candidatura: a dificuldade de conversar com o centro e com o agronegócio.

A definição, porém, só terá efeito eleitoral pleno se vier acompanhada da adesão formal do partido e de novas alianças.

Santander prepara um rali com oferta da matriz

Depois do balanço fraco, o controlador coloca um piso no preço.

O Santander espanhol lançou uma oferta voluntária para adquirir os 10% restantes do Santander Brasil que permanecem em circulação.

A proposta prevê prêmio de aproximadamente 15% e contraprestação de até 1,91 bilhão de euros.

A operação não tem como objetivo formal cancelar o registro da companhia na B3, embora possa reduzir ainda mais a liquidez e eventualmente retirar os ADRs da Bolsa de Nova York.

As ações americanas do banco brasileiro avançaram aproximadamente 9% após o anúncio.

Comentário: O prêmio deve gerar uma correção imediata das units.

Mas a oferta também transmite uma mensagem: a matriz considera o ativo barato após a forte queda provocada pelo balanço e aceita reduzir ainda mais o free float para capturar esse desconto.

Vale entrega EBITDA, mas o lucro sofre com custos

Mais produção compensou parte da pressão de combustível, frete e câmbio.

A Vale apresentou lucro líquido de US$ 1,38 bilhão, queda de 35% na comparação anual e abaixo das estimativas.

O Ebitda pro forma, entretanto, cresceu 19%, para US$ 4,07 bilhões, superando as projeções.

A companhia elevou a estimativa de custo caixa C1, citando valorização do real, combustíveis e fretes mais caros. Também anunciou aproximadamente R$ 2,03 por ação em dividendos e JCP e prorrogou o programa de recompra.

Comentário: O operacional veio melhor que o lucro contábil.

Para a ação, o ponto positivo é a geração operacional. O alerta é a inflação de custos, que pode consumir parte do benefício do aumento de produção.

Bandeira tarifária pode recolocar energia no IPCA

A Aneel decide se a inflação continuará recebendo ajuda das tarifas elétricas.

A Aneel anuncia a bandeira tarifária de agosto às 16h.

A decisão será monitorada depois de uma sequência de indicadores benignos de inflação, que aumentaram a convicção sobre o corte da Selic.

Uma bandeira mais onerosa pode pressionar o IPCA e reduzir parte do alívio proporcionado pelos alimentos e preços industriais.

Comentário: O Copom deve cortar antes de conhecer o IPCA cheio de agosto.

Por isso, qualquer aumento relevante na tarifa de energia entrará diretamente na discussão sobre uma nova redução em setembro.

Radar Corporativo

Multiplan

Lucro líquido de R$ 427,4 milhões, alta de 61,7%, apoiado por créditos tributários e crescimento operacional.

EcoRodovias

Lucro recorrente caiu 74,1%, pressionado por investimentos, custos e encerramento de concessão.

CSN

Projeta prejuízo líquido entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre.

Sabesp

Acionistas aprovaram a incorporação da EMAE, que passará a ser subsidiária integral.

Raízen

Teve homologado o plano de recuperação extrajudicial envolvendo R$ 61,4 bilhões em dívidas.

Copasa

Foi elevada para overweight pelo Morgan Stanley, com preço-alvo de R$ 77.

Agenda do dia

Brasil

08h30: Resultado primário do setor público consolidado.

11h00: Teleconferências de Vale, Multiplan e EcoRodovias.

16h00: Bandeira tarifária de agosto.

Após o fechamento: Balanço da AgroGalaxy.

Disputa pela formação da Ptax de fim de mês.

Exterior

CPI preliminar da zona do euro.

09h30: Índice de Custo do Emprego dos EUA.

10h45: PMI de Chicago.

11h00: Sentimento do consumidor da Universidade de Michigan.

Resultados de Exxon Mobil e Chevron.

Visão para o trader

O último pregão do mês combina fluxo técnico, balanços e política.

  • Nasdaq: Amazon e semicondutores sustentam a retomada do trade de IA.
  • Dólar: pressão de baixa global, com atenção à Ptax.
  • DI curto: corte do Copom amplamente contratado.
  • DI longo: fiscal e Treasury de 30 anos continuam limitando o fechamento.
  • Ibovespa: Santander deve ser destaque; Vale pode ter reação dividida.
  • Petróleo: perto de US$ 89, com menor prêmio imediato, mas risco ainda elevado.
  • Energia elétrica: bandeira tarifária pode influenciar setembro.
  • Política: investigação contra Lulinha e definição da vice de Flávio entram no radar eleitoral.

Leitura da mesa

A inteligência artificial retomou o comando porque Amazon e Microsoft provaram que investimento pode virar receita. O petróleo ainda carrega a guerra, mas já divide espaço com balanços e juros. No Brasil, o Copom tem o corte contratado, Santander ganha um piso com a oferta da matriz e Vale entrega operação forte com custos maiores. Hoje, tecnologia puxa o risco, mas fiscal, política e Ptax podem decidir o fechamento do mês.