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Call diario 27/07/2025 | Nova Futura

Resumo do dia 27/07

Brent despenca, juros respiram e a guerra devolve espaço para Fed, inflação e balanços.

A semana começa com uma mudança importante no comando dos mercados. Depois de quase duas semanas dominadas pela escalada entre Estados Unidos e Irã, a pausa nos ataques derruba o petróleo, reduz os juros globais e devolve algum apetite por risco às bolsas.

O Brent cai cerca de 8%, para a região de US$ 88, enquanto autoridades do Irã e de Omã discutem mecanismos para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. O alívio é relevante, mas ainda não representa um acordo definitivo: o bloqueio naval continua, os houthis permanecem ativos no Mar Vermelho e Washington afirma que todas as opções seguem sobre a mesa.

No Brasil, o movimento pode aliviar a curva de juros às vésperas do Copom, que tem um corte de 0,25 ponto percentual amplamente precificado. O Focus, o IPCA-15 e os dados de emprego testarão essa convicção. Na política, Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro, que oficializou a candidatura em meio a dificuldades jurídicas, partidárias e familiares.

PETRÓLEO DESPENCA E DEVOLVE OXIGÊNIO AOS MERCADOS

A pausa nos ataques retira parte do prêmio de guerra acumulado em julho.

O Brent cai para a região de US$ 88 por barril, depois de ter ultrapassado US$ 100 no auge da escalada militar.

Os Estados Unidos interromperam, pela segunda noite consecutiva, a sequência de ataques contra o Irã. Teerã também sinalizou que poderá suspender suas ofensivas enquanto Washington mantiver a pausa.

Omã retomou os esforços de mediação, com apoio de Paquistão e China, enquanto autoridades discutem mecanismos para garantir a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

A queda do petróleo reduz imediatamente:

  • as expectativas de inflação;
  • os rendimentos dos Treasuries;
  • a pressão sobre bancos centrais;
  • o prêmio de aversão ao risco nas bolsas.

O petróleo está devolvendo o excesso produzido pelo medo, mas ainda não voltou à normalidade.

A queda é um alívio macroeconômico importante. Porém, enquanto Ormuz continuar bloqueado e o Mar Vermelho permanecer ameaçado, a trégua será negociada como pausa, não como paz.

A GUERRA PAROU DE ESCALAR, MAS A LOGÍSTICA AINDA NÃO NORMALIZOU

A interrupção dos bombardeios não significa retomada completa do fluxo de energia.

O bloqueio naval americano sobre portos iranianos permanece em vigor, e os houthis continuam pressionando embarcações ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho.

Antes da pausa, as ameaças simultâneas ao Estreito de Ormuz e a Bab el-Mandeb haviam levado o Brent aos três dígitos e elevado fortemente os custos de transporte e seguros marítimos.

Donald Trump afirmou que o objetivo da suspensão é abrir espaço para a diplomacia, mas reiterou que outras opções continuam disponíveis.

Para o mercado, a próxima etapa não é apenas cessar os ataques. É garantir que navios, petróleo e gás voltem a circular normalmente.

Sem normalização logística, o barril pode cair no curto prazo e continuar carregando prêmio estrutural de guerra.

TREASURIES ALIVIAM E O FED RECUPERA ESPAÇO PARA RESPIRAR

Petróleo mais baixo reduz a urgência de uma nova alta de juros nos Estados Unidos.

A taxa da Treasury de dez anos recua para aproximadamente 4,63%, acompanhando a descompressão da energia.

O Federal Reserve decide os juros na quarta-feira. A expectativa predominante é de manutenção, mas o comunicado será examinado em busca de sinais sobre uma possível alta ainda em 2026.

Até a semana passada, o petróleo próximo de US$ 100 havia elevado significativamente as apostas de aperto em setembro. A correção da commodity reduz parte dessa pressão, embora não elimine o risco inflacionário.

Depois da decisão, o mercado acompanhará:

  • PIB americano do segundo trimestre;
  • PCE de junho;
  • PMIs;
  • expectativas de inflação da Universidade de Michigan.

Comentário: A queda do petróleo melhora o cenário, mas não autoriza o Fed a declarar vitória.

A autoridade monetária continuará conservadora porque ainda precisa saber se o recuo da energia é sustentável ou apenas uma reação temporária à pausa militar.

COPOM TEM CORTE DE 0,25 PONTO NO PREÇO

O petróleo mais baixo reforça a aposta em redução da Selic na próxima semana.

A curva brasileira embute corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom dos dias 4 e 5 de agosto.

Na sexta-feira, o primeiro alívio do petróleo já provocou fechamento relevante dos DIs:

  • DI Jan/27: 13,96%
  • DI Jan/29: 14,445%
  • DI Jan/31: 14,625%
  • DI Jan/33: 14,69%

Gabriel Galípolo evitou antecipar a decisão durante a Expert XP e repetiu que o cenário exige política monetária restritiva por período prolongado.

Comentário: O corte de agosto ganhou novo fôlego. A continuidade do ciclo, porém, ainda não está garantida.

O mercado pode voltar a discutir mais cortes se o Brent permanecer abaixo de US$ 90. Se a guerra reacender, agosto poderá ser a última redução.

FOCUS TESTA A DESANCORAGEM DE 2028

O problema do Banco Central não está apenas na inflação deste ano.

O Focus será acompanhado principalmente pela projeção do IPCA de 2028, que subiu de 3,70% para 3,78% na edição anterior.

A piora indica maior demora na convergência para a meta e amplia a preocupação com expectativas de longo prazo.

Amanhã, o IPCA-15 de julho será outro teste importante. A mediana do mercado aponta desaceleração para aproximadamente 0,21%, depois de 0,41% em junho.

Comentário: Petróleo baixo ajuda a inflação corrente. Expectativa desancorada exige confiança na política monetária.

Para o Copom, uma leitura benigna do IPCA-15 será importante, mas a trajetória de 2027 e 2028 continua sendo o verdadeiro limitador do ciclo.

EMPREGO COMPLETA O TESTE PARA A SELIC

Inflação pode aliviar; o mercado de trabalho precisa confirmar a desaceleração.

Na quinta-feira, serão divulgados a Pnad Contínua e o Caged de junho.

Os números ajudarão a avaliar se a perda de ritmo observada em varejo, serviços e IBC-Br está chegando ao mercado de trabalho.

Uma desaceleração mais clara do emprego reduziria a pressão sobre salários, serviços e inflação subjacente.

Comentário: O BC não corta apenas porque o petróleo caiu.

Para ampliar o ciclo, precisará enxergar atividade, emprego e inflação caminhando na mesma direção.

LULA MANTÉM VANTAGEM, MAS A ELEIÇÃO SEGUE COMPETITIVA

Datafolha preserva liderança do presidente sem encerrar a disputa.

O Datafolha mostrou Lula com:

  • 40% contra 32% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno;
  • 48% contra 43% em eventual segundo turno.

A vantagem ficou praticamente estável. O levantamento BTG/Nexus também mostrou manutenção de Lula e oscilação negativa de Flávio.

O PL oficializou no sábado a candidatura do senador, ainda sem vice e sem alianças relevantes com os principais partidos de centro.

Comentário: Lula mantém a dianteira, mas cinco pontos em segundo turno ainda representam uma eleição competitiva.

Para os ativos, o importante será acompanhar rejeição, alianças e a capacidade de cada candidatura de apresentar uma agenda fiscal crível.

FLÁVIO OFICIALIZA CANDIDATURA EM MEIO A CRISES

A campanha começou oficialmente antes de resolver seus principais problemas.

A convenção do PL oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.

O lançamento ocorreu em meio a:

  • investigação sobre possíveis ligações com Daniel Vorcaro;
  • questionamentos envolvendo o Banco Master;
  • ausência de candidato a vice;
  • dificuldade para atrair PP, União Brasil e Republicanos;
  • relação ainda desconfortável com Michelle Bolsonaro.

O nome do senador Astronauta Marcos Pontes passou a ser considerado para a vice.

Comentário: A candidatura existe formalmente, mas ainda precisa demonstrar viabilidade política.

Sem alianças nacionais e estaduais consistentes, Flávio pode ter dificuldade para converter o eleitorado bolsonarista em uma coalizão capaz de vencer o segundo turno.

BRASIL E ESTADOS UNIDOS AMPLIAM A TENSÃO DIPLOMÁTICA

Tarifas, vistos e eleições aproximam a crise comercial da crise institucional.

O presidente Lula voltou a criticar as tarifas americanas e defendeu o Pix em artigo publicado no Washington Post.

O governo brasileiro também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam visitar o país para discutir a integridade do sistema eleitoral.

Brasília interpretou a iniciativa como uma possível tentativa de interferência externa e prepara nova contestação das tarifas na Organização Mundial do Comércio.

O governo ainda convocou o embaixador brasileiro na Argentina após declarações de Javier Milei durante a convenção do PL.

Comentário: O risco deixou de ser exclusivamente comercial.

Quanto mais tarifas e eleição se misturam, menor o espaço para uma solução técnica e maior a probabilidade de escalada diplomática.

BIG TECHS VOLTAM AO CENTRO DO MERCADO

Depois do petróleo, Wall Street volta a discutir o custo da inteligência artificial.

A temporada de balanços entra em uma semana decisiva:

  • Meta e Microsoft divulgam resultados na quarta-feira;
  • Amazon e Apple apresentam números na quinta-feira.

O mercado acompanhará investimentos em data centers, chips, modelos de IA, margens e geração de caixa.

As quedas recentes de Alphabet e Tesla mostraram que crescimento de receita não será suficiente caso os investimentos destruam fluxo de caixa livre.

Comentário: A pergunta continua a mesma: quem conseguirá transformar inteligência artificial em lucro antes que o custo do investimento pressione demais o balanço?

A empresa que entregar expansão com caixa será premiada. A que entregar apenas gasto continuará sendo vendida.

BRASIL VIRA UM POSSÍVEL "HEDGE DE IA"

A velha economia volta a competir pelo fluxo estrangeiro.

Depois de dois meses de retirada, o capital estrangeiro voltou à B3 em julho, com saldo positivo de aproximadamente R$ 4,6 bilhões.

Uma das leituras é que posições em tecnologia e inteligência artificial no exterior ficaram saturadas, abrindo espaço para ativos ligados a:

  • petróleo;
  • mineração;
  • bancos;
  • infraestrutura;
  • consumo doméstico.

O Brasil passou a ser tratado por algumas instituições como uma alternativa de diversificação em relação aos mercados altamente concentrados em tecnologia.

Comentário: O Brasil pode funcionar como hedge contra o excesso de IA, mas não está protegido de uma correção global.

Fluxo estrangeiro ajuda. Fiscal e eleição continuam determinando se esse dinheiro permanece.

QUEDA DO PETRÓLEO AJUDA OS JUROS, MAS RETIRA SUPORTE DA PETROBRAS

O mesmo movimento que alivia a curva pode pesar sobre o Ibovespa.

A queda do Brent reduz o risco inflacionário e tende a favorecer:

  • DIs;
  • varejo;
  • construção;
  • empresas de crescimento;
  • ações sensíveis aos juros.

Ao mesmo tempo, retira parte do suporte recente da Petrobras, que foi uma das principais responsáveis por amortecer as quedas do Ibovespa durante a escalada da guerra.

Na sexta-feira, Petrobras caiu acompanhando a realização do petróleo, enquanto o Ibovespa recuou 1,52%, aos 174.042 pontos.

Comentário: Hoje pode ocorrer uma rotação dentro da Bolsa.

Sai parte da força de petróleo e entram empresas mais dependentes de juros menores. Para o índice, o saldo dependerá da intensidade desses dois movimentos.

REAL PERDE PARTE DA PROTEÇÃO DOS TERMOS DE TROCA

Petróleo mais barato melhora a inflação, mas reduz uma vantagem recente do câmbio.

Durante a escalada da guerra, o real foi beneficiado pela posição do Brasil como exportador de petróleo e pelo carry trade elevado.

Com a commodity em queda, o apoio dos termos de troca diminui. Em compensação, o recuo dos Treasuries e a melhora do ambiente global favorecem moedas emergentes.

O dólar encerrou a sexta-feira próximo de R$ 5,08.

Comentário: Para o câmbio, a queda do petróleo produz forças opostas.

O real perde o benefício comercial, mas ganha com juros globais menores e redução da aversão ao risco. O resultado dependerá principalmente do fluxo estrangeiro.

RADAR CORPORATIVO

Embraer

A carteira de pedidos atingiu o recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 16% na comparação anual. As entregas cresceram 7%, para 65 aeronaves.

Brava Energia

O conselho aprovou a oferta da Ecopetrol para aquisição do controle da companhia.

WEG

Foi elevada para overweight pelo JPMorgan, com preço-alvo de R$ 56.

Vivo e TIM

Divulgam resultados após o fechamento, abrindo uma semana relevante para telecomunicações e empresas defensivas.

Localiza

A Dynamo elevou sua participação para 25,01% das ações preferenciais.

Vale

Divulga balanço na quinta-feira, depois de apresentar produção e vendas robustas no segundo trimestre.

AGENDA DA SEMANA

Hoje

08h25: Boletim Focus

09h30: Encomendas de bens duráveis nos EUA

Leilão de swap cambial

Após o fechamento: Vivo e TIM

Terça-feira

IPCA-15

Contas externas

Confiança do consumidor americano

Pesquisa AtlasIntel

Quarta-feira

Decisão de juros do Fed

Balanços de Meta e Microsoft

Resultado do Santander

Quinta-feira

PIB e PCE dos Estados Unidos

Pnad e Caged

Decisão do Banco da Inglaterra

Balanços de Amazon, Apple, Vale e Ambev

Sexta-feira

Decisão do Banco do Japão

Dados fiscais brasileiros

ISM industrial americano

Expectativas de inflação da Universidade de Michigan

VISÃO PARA O TRADER

A segunda-feira começa com uma rotação clara de cenário:

  • Petróleo: queda forte reduz o prêmio inflacionário, mas a trégua ainda é frágil.
  • DI curto: corte de agosto ganha força.
  • DI longo: Focus, expectativas de 2028 e fiscal continuam limitando o fechamento.
  • Dólar: perde apoio dos termos de troca, mas ganha com Treasuries menores.
  • Ibovespa: cíclicas podem reagir; Petrobras perde parte do impulso.
  • Nasdaq: alívio geopolítico ajuda, mas os balanços das megacaps serão decisivos.
  • Embraer: carteira recorde reforça visibilidade de receita.
  • Política: Lula mantém vantagem, mas a disputa continua aberta.

LEITURA DA MESA

O petróleo devolveu o prêmio de guerra e entregou oxigênio para juros e bolsas. Agora o mercado volta a olhar para Fed, inflação, Copom e balanços. Para o trader, o recado é direto: a queda do Brent muda o preço dos ativos, mas somente uma solução em Ormuz mudará definitivamente o cenário.