MORNING CALL NOVA FUTURA
26 de agosto | Quarta-feira
A quarta-feira concentra três gatilhos capazes de mexer em praticamente todos os ativos: IPCA-15 no Brasil, PCE nos Estados Unidos e Nvidia após o fechamento.
O pano de fundo ficou mais favorável com o Brent recuando para a região de US$ 85–86, depois de Irã e Omã avançarem em uma estrutura provisória para o transporte por Ormuz. Isso reduz parte do choque inflacionário recente, mas ainda não elimina o risco geopolítico. No Brasil, a Bolsa chega embalada por quatro altas consecutivas e pelo primeiro retorno relevante do estrangeiro à B3 depois de semanas de fuga.
Índice deve cair cerca de 0,30% em agosto e voltar para perto de 4,3% em 12 meses.
A deflação deve ser puxada principalmente pelo crédito extraordinário de energia, além de quedas em gasolina, passagens aéreas e alimentos.
O problema é a composição: núcleos e serviços subjacentes podem acelerar.
Comentário: O índice cheio pode vir bonito.
Mas o Copom não corta juro olhando só fotografia. Se serviços continuarem resistentes, setembro fica fácil novembro continua em discussão.
Inflação preferida do Fed sai às 9h30 com núcleo esperado em torno de 0,2% no mês.
O mercado espera inflação anual ainda acima da meta, enquanto renda, consumo, PIB e bens duráveis completam uma bateria importante de dados americanos.
Os yields sobem levemente antes da divulgação.
Comentário: Hoje não basta inflação cair.
O Fed precisa enxergar inflação cedendo sem a atividade reacelerar demais.
Essa combinação é que define Treasury, dólar e expectativa para Warsh na sexta-feira.
Petróleo despenca com avanço nas negociações entre Irã e Omã.
Foi discutida uma rota marítima temporária e um desenho para um corredor permanente em 30 a 60 dias.
Há ainda relatos não confirmados de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
Comentário: Esse é o maior alívio macro da semana.
Petróleo saindo de quase US$ 95 para US$ 85 em poucos dias muda inflação, juros, Petrobras e câmbio ao mesmo tempo.
Só não confunda esperança diplomática com normalização definitiva.
Mercado espera receita próxima de US$ 92 bilhões, quase o dobro em um ano.
Mesmo números extraordinários podem não ser suficientes.
O foco migrou de crescimento para retorno sobre o capital investido, especialmente depois do aumento dos custos de servidores e da redução de fluxo de caixa livre entre grandes empresas de tecnologia.
Comentário: A pergunta não é mais “IA cresce?”.
É:
“IA cresce rápido o suficiente para pagar tudo que estão gastando nela?”
Hoje, Nvidia responde por todo o setor.
Estrangeiro interrompe sequência de retiradas e entra com R$ 1,7 bilhão na B3.
Foi o primeiro sinal mais concreto de reversão depois de mais de R$ 20 bilhões de saída acumulada no mês.
O Ibovespa já acumula quatro altas consecutivas e voltou para a região de 174,5 mil pontos.
Comentário: Essa é a primeira mudança qualitativa importante da Bolsa em semanas.
Até ontem tínhamos valuation. Agora apareceu comprador.
Um dia não faz tendência mas sem isso, tendência nenhuma começa.
Mercado de opções registra forte aumento de posições compradas para níveis bem mais altos do índice.
O volume em opções de compra de Ibovespa para novembro cresceu fortemente nos últimos dias.
Segundo relatos de mercado, fundos macro aumentaram apostas em valorização da Bolsa após as eleições.
Comentário: Aqui entra uma diferença importante:
spot mostra onde o mercado está. Opções mostram onde alguém está disposto a pagar para ele chegar.
Não é previsão. É posicionamento.
Chance de corte de 25 pontos em setembro está perto de 90%.
Queda do petróleo, expectativa de IPCA-15 negativo e melhora no cenário externo comprimiram a curva.
A probabilidade implícita de novo corte em novembro também começou a subir, embora ainda seja minoritária.
Comentário: O trade de setembro está praticamente maduro.
O dinheiro novo está na discussão sobre extensão do ciclo.
E essa história depende menos do IPCA de hoje do que de fiscal, câmbio, petróleo e eleição nos próximos meses.
Real melhora, mas cai menos do que seria esperado diante de petróleo, fluxo e DXY.
O dólar terminou em torno de R$ 5,14, mesmo com ingresso estrangeiro, petróleo em forte queda e enfraquecimento do DXY.
Comentário: Essa resistência merece atenção.
Quando várias forças apontam para baixo e o dólar cai pouco, talvez exista alguém comprando risco doméstico do outro lado.
É um sinal para acompanhar.
Déficit efetivo de 2026 pode chegar perto de R$ 60 bilhões mesmo com cumprimento formal da meta.
O TCU destacou que exclusões legais permitem apresentar resultado compatível com as regras, apesar de deterioração maior nas contas públicas efetivas.
Também chamou atenção para o avanço das despesas obrigatórias.
Comentário: Para o mercado, essa distinção importa muito.
Meta cumprida contabilmente não significa dívida estabilizada economicamente.
É por isso que o DI longo continua pedindo prêmio mesmo quando o curto melhora.
Companhia recompra debêntures e encerra hedge, reduzindo dívida bruta em R$ 322,6 milhões.
A Hapvida destinou até R$ 250 milhões à recompra de títulos e liquidação antecipada de hedge.
A operação reduz alavancagem, embora o mercado ainda questione a velocidade do turnaround operacional.
Comentário: Para uma empresa que precisa recuperar confiança, isso importa.
Menos dívida não resolve margem mas diminui o peso financeiro enquanto a gestão tenta resolver a operação.
É um passo pequeno, porém na direção correta.
Centaurus terá de realizar oferta pública depois de decisão unânime da CVM.
O colegiado entendeu que a reorganização societária acionou a cláusula estatutária que exige OPA acima de determinado nível de participação.
A operação pode movimentar bilhões de reais.
Comentário: Isso transforma completamente a assimetria do papel.
Quando entra OPA obrigatória, o preço passa a negociar estrutura societária e valor da oferta não apenas resultado operacional.
Plano de recuperação extrajudicial pode incluir aporte e conversão de dívida em ações.
A companhia confirmou que determinadas métricas poderão levar a mecanismos de reforço de capital.
Comentário: Esse é o ponto mais sensível para o acionista.
Converter dívida em equity melhora o balanço mas pode diluir violentamente quem já está na ação.
Na Braskem, a pergunta agora é cada vez menos quanto a empresa vale e cada vez mais quanto desse valor sobrará para o acionista atual.
IPCA-15: índice cheio deve vir negativo; composição vale mais.
PCE: principal gatilho de Treasury e dólar no exterior.
Brent: US$ 85–86 muda inflação e percepção de juros.
Ormuz: avanço diplomático importante, ainda não definitivo.
Nvidia: balanço pós-fechamento pode mexer em todo o trade de IA.
DI curto: setembro praticamente precificado.
DI longo: fiscal e eleição continuam mandando.
Dólar: R$ 5,14 merece atenção pela resistência.
Ibovespa: quatro altas e primeiro retorno relevante do estrangeiro.
Hapvida: redução de dívida é positiva para a tese.
Oncoclínicas: OPA muda a dinâmica do papel.
Braskem: risco de diluição ganha protagonismo.
Hoje a tela inteira gira em torno de inflação e confiança. O petróleo despenca e ajuda todo mundo; o IPCA-15 pode mostrar deflação; o PCE diz quanto espaço o Fed realmente tem; e a Nvidia precisa provar que a corrida da IA ainda fecha a conta. No Brasil, o detalhe novo é outro: depois de semanas fugindo, o estrangeiro voltou a comprar. Se isso continuar, deixa de ser repique e começa a virar tese.
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