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Call diario 22/07/2025 | Nova Futura

Resumo do dia 22/07

Brent rompe US$ 95, tarifaço entra em vigor e big techs encaram a prova do lucro.

O mercado entra na quarta-feira com o petróleo novamente no comando. O Brent superou US$ 95 por barril depois que Estados Unidos e Irã afastaram a possibilidade de retomada imediata das negociações. A ameaça dos houthis ao transporte marítimo saudita amplia o risco para além do Estreito de Ormuz e mantém os juros globais pressionados.

No Brasil, a tarifa americana de 25% entra oficialmente em vigor, enquanto a Vale entrega produção acima do esperado e a WEG abre a temporada de resultados na B3. Em Nova York, Alphabet, Tesla e IBM divulgam números após o fechamento, em um teste decisivo para o trade de inteligência artificial.

Petróleo rompe US$ 95 e a diplomacia sai do preço

Sem negociação, o mercado volta a precificar interrupção prolongada da oferta.

O Brent superou US$ 95 por barril, maior nível em quase seis semanas, depois que Washington e Teerã indicaram que não pretendem retomar as negociações enquanto os ataques continuarem.

A guerra entrou no 11º dia e o risco logístico se ampliou:

  • Estreito de Ormuz continua comprometido;
  • Houthis se preparam para novos ataques a navios;
  • Embarcações sauditas já alteraram rotas;
  • Mar Vermelho e Bab el-Mandeb entram no centro da crise.

O Goldman Sachs voltou a alertar que uma interrupção prolongada em Ormuz poderia levar o Brent acima de US$ 120.

Comentário: O mercado deixou de negociar apenas o risco de guerra e passou a negociar o risco físico de abastecimento. Acima de US$ 95, petróleo não é só commodity: é inflação, juros e redução do apetite por risco.

Treasuries sentem o novo choque de energia

A alta do petróleo recoloca o Fed na defensiva.

Os rendimentos dos Treasuries permanecem próximos dos maiores níveis em dois meses, refletindo o temor de que o choque de energia volte a pressionar a inflação americana.

A probabilidade de uma alta dos juros pelo Fed em setembro segue elevada, mesmo após os dados benignos de CPI e PPI divulgados recentemente.

Comentário: O petróleo está desfazendo parte do alívio entregue pela inflação. Enquanto o barril avançar, o mercado terá dificuldade para sustentar qualquer narrativa dovish para o Fed.

Alphabet e Tesla entram no teste da inteligência artificial

Depois da euforia, o mercado quer retorno financeiro.

Alphabet, Tesla e IBM divulgam resultados após o fechamento.

Na Alphabet, o foco estará nos gastos com:

  • data centers;
  • chips;
  • infraestrutura de nuvem;
  • modelos de inteligência artificial.

Na Tesla, o mercado acompanhará a evolução dos projetos ligados à inteligência artificial, direção autônoma e robótica.

A Super Micro elevou projeções de margem e disparou no after market, sinalizando demanda ainda forte por servidores de IA.

Comentário: O debate deixou de ser sobre quem investe mais. Agora o mercado quer saber quem consegue transformar investimento bilionário em receita, margem e geração de caixa.

Tarifa de 25% entra oficialmente em vigor

O tarifaço deixa de ser risco e passa a ser custo.

Começa hoje a cobrança da tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Foram preservados itens relevantes, como:

  • café;
  • carne bovina;
  • alguns produtos de energia.

O etanol e segmentos industriais específicos continuam sujeitos à sobretaxa.

O governo brasileiro mantém a estratégia de negociação, prepara linhas de crédito por meio do programa Brasil Soberano e evita, por enquanto, uma retaliação imediata.

Comentário: O impacto agregado sobre o PIB tende a ser limitado, mas o efeito pode ser severo para empresas e cadeias produtivas específicas. A partir de agora, o mercado precisa separar índice de exposição real.

Nova tarifa de 12,5% continua no radar

O risco comercial ainda não terminou.

O governo brasileiro espera uma possível tarifa adicional de 12,5%, relacionada a acusações envolvendo o uso de insumos associados a trabalho forçado.

A principal dúvida é se essa cobrança será cumulativa à tarifa de 25% que entra em vigor hoje.

Comentário: Se não for cumulativa, o impacto permanece administrável. Se for somada aos 25%, o mercado terá de refazer as contas para exportadoras industriais e setores já pressionados.

Vale entrega produção acima do esperado

S11D sustenta um trimestre operacional sólido.

A Vale produziu 84,26 milhões de toneladas de minério de ferro no segundo trimestre, acima da expectativa de 83,84 milhões.

O volume avançou:

  • 21% em relação ao primeiro trimestre;
  • aproximadamente 1% na comparação anual.

O desempenho foi impulsionado pela produção recorde da mina S11D. A companhia também apresentou avanço no cobre e manteve o guidance anual entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.

As vendas de minério ficaram em linha com as projeções.

Comentário: A produção veio boa, mas o balanço dependerá da equação completa: preço realizado, qualidade, frete e custos. O operacional ajuda. O minério abaixo de US$ 100 limita o entusiasmo.

Vale também enfrenta decisão de governança

Produção agrada, mas o conselho continua no radar.

Os acionistas se reúnem hoje para eleger o novo presidente do Conselho de Administração da mineradora.

A decisão ocorre em meio a debates recentes envolvendo minoritários, remuneração da antiga presidência do conselho e atuação de acionistas relevantes.

Comentário: Para a ação, o relatório operacional faz preço no curto prazo. Para o desconto estrutural da Vale, governança continua sendo parte central da avaliação.

WEG abre a temporada de balanços na B3

Uma das ações mais exigentes da Bolsa precisa entregar novamente.

A WEG divulga resultados antes da abertura do mercado, inaugurando a temporada do segundo trimestre entre as grandes companhias brasileiras.

O mercado acompanhará:

  • crescimento de receita;
  • margens;
  • demanda externa;
  • exposição à energia e infraestrutura;
  • ritmo dos investimentos industriais.

Comentário: WEG negocia com prêmio porque entrega consistência. Em uma ação cara, porém, resultado apenas bom pode não ser suficiente.

Real segue forte mesmo com o petróleo disparando

O petróleo piora o mundo, mas melhora os termos de troca brasileiros.

O dólar caiu para R$ 5,07, menor nível em mais de um mês, apesar do avanço do Brent e da abertura dos Treasuries.

O real continua sustentado por:

  • carry trade elevado;
  • balança comercial robusta;
  • ingresso de capital estrangeiro;
  • posição do Brasil como exportador de petróleo.

Comentário: O petróleo caro ajuda o câmbio brasileiro, mas pressiona os juros. Essa proteção funciona enquanto o choque permanecer concentrado em preço. Em um cenário de desorganização global, o comportamento pode mudar rapidamente.

DI ainda acredita no corte de agosto

O mercado mantém a aposta, mas começa a perder conforto.

A curva ainda trabalha com corte da Selic em agosto, embora o petróleo acima de US$ 95 aumente o risco de pausa ou de encurtamento do ciclo.

O mercado aguarda a participação de Gabriel Galípolo na Expert XP, na sexta-feira, em busca de algum sinal sobre o próximo passo do Copom.

Comentário: A atividade doméstica permite cortar. O petróleo global recomenda cautela. Se Galípolo quiser corrigir as apostas do mercado, sexta-feira será a oportunidade.

Faria Lima vira terreno da disputa eleitoral

Situação e oposição disputam a narrativa fiscal.

Daniella Marques intensificou reuniões com bancos e investidores para defender a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro e uma agenda baseada em redução de despesas.

Dario Durigan também se aproxima do mercado financeiro para transmitir uma mensagem de responsabilidade fiscal em um eventual novo governo Lula.

Comentário: O mercado começa a antecipar 2027. Mais do que nomes, investidores querem compromissos verificáveis sobre gasto, dívida e regras fiscais.

Fluxo cambial e estoques de petróleo completam a agenda

Dia sem grandes indicadores, mas com dados capazes de mexer nos ativos.

No Brasil:

  • 11h30: leilão de swap cambial;
  • 14h30: fluxo cambial semanal.

Nos Estados Unidos:

  • 11h30: estoques semanais de petróleo e derivados.

Comentário: Com o Brent acima de US$ 95, o relatório de estoques ganha peso adicional. Uma queda forte nas reservas pode reforçar o movimento da commodity; aumento inesperado pode provocar realização.

Radar corporativo

Braskem

Confirmou negociações com credores para uma possível reestruturação de dívida.

Neoenergia

Lucro líquido caiu 45%, para R$ 900 milhões, enquanto o Ebitda cresceu 11%.

Caixa Seguridade

Foi rebaixada para venda pelo UBS, com preço-alvo de R$ 20,50.

Mercado Livre

Captou R$ 1,5 bilhão em letras financeiras, com demanda superior a R$ 3 bilhões.

Claro Brasil

Ebitda avançou 4,6%, para R$ 6,05 bilhões.

Visão para o trader

O pregão começa com três forças disputando o mercado:

  • o petróleo pressiona inflação e juros;
  • as big techs precisam justificar o trade de IA;
  • o tarifaço começa a produzir efeitos concretos no Brasil.

Na prática:

  • Petrobras: favorecida pelo Brent, mas sensível à política de preços.
  • Vale: produção positiva, com minério e governança limitando o movimento.
  • Nasdaq: balanços de Alphabet e Tesla definem o próximo movimento.
  • DI: petróleo desafia a aposta em corte da Selic.
  • Dólar: carry e termos de troca mantêm o real protegido.
  • Exportadoras: reação dependerá da exposição efetiva às tarifas.

A leitura da mesa é direta: com o Brent em US$ 95, o mercado deixa de perguntar se a guerra afetará a inflação e passa a perguntar quanto e por quanto tempo.