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Call diário 21/09/2026 | Eleições, Copom e Brent | Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 21 de set. de 2026 11:25:01

 

MORNING CALL – NOVA FUTURA

21 de setembro | Segunda-feira

BTG/Nexus aperta o 1º turno, Treasury dá alívio e Brent volta para perto de US$ 100

A semana começa com uma combinação mais favorável ao risco lá fora: Treasuries recuam, bolsas futuras sobem e o Brent cai mais de 3%, para perto de US$ 100, com melhora recente do fluxo por Ormuz.

No Brasil, porém, o centro da tela continua político. A BTG/Nexus mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno, tecnicamente empatados dentro da margem de erro; no segundo, 46% a 45%. Hoje ainda vem a Quaest. Amanhã, a ata do Copom assume o comando do DI.

BTG/NEXUS: 40 A 37 E MAIS UMA PESQUISA SEM FOLGA

Lula oscila de 42% para 40%; Flávio permanece em 37% no primeiro turno.

A pesquisa ouviu 2.006 eleitores entre 18 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. No segundo turno, Lula aparece numericamente com 46% e Flávio com 45%, também em empate técnico.

Comentário: O mercado já não está procurando apenas quem aparece numericamente à frente. Está procurando confirmação de tendência. Quaest hoje, Atlas na quarta e Datafolha na quinta podem dizer se a disputa está realmente mudando ou apenas oscilando dentro das margens.

TREASURY ALIVIA E O RISCO GLOBAL RESPIRA

Yields recuam depois de o 10 anos ter voltado a superar 5% na sexta-feira.

O ambiente melhora com petróleo mais fraco e expectativa de avanço nas conversas econômicas entre Estados Unidos e China.

Comentário: Essa combinação é importante: petróleo caindo + Treasury fechando = menos pressão simultânea sobre valuation e emergentes. É exatamente o tipo de cenário externo que ajuda o Brasil a manter seu descolamento recente.

BRENT ENCOSTA NOVAMENTE NOS US$ 100

Petróleo cai pelo quarto pregão e Brent opera perto de US$ 100–101.

O fluxo através do Estreito de Ormuz melhorou nas últimas semanas e novas iniciativas diplomáticas reduziram parte do prêmio geopolítico.

Ataques no Mar Vermelho e contra infraestrutura saudita, porém, mantêm o risco de oferta.

Comentário: Aqui existe uma mudança relevante. Abaixo de US$ 105, o petróleo começa a tirar pressão dos bancos centrais. Abaixo de US$ 100, começa a mudar a narrativa. Ainda não chegamos à segunda etapa.

AMANHÃ É DIA DE DESMONTAR O TEXTO DO COPOM

Ata pode esclarecer por que o BC ganhou mais confiança na desaceleração da atividade.

Depois do corte para 13,75%, o comunicado deixou novembro aberto e levou parte do mercado a esperar nova redução de 25 pontos.

Comentário: A pergunta continua simples: o Copom está apenas reconhecendo a desaceleração ou já preparando outro corte? Se a ata der mais peso para atividade e transmissão do crédito, o DI curto ganha argumento para fechar.

FOCUS TESTA SE O MERCADO JÁ COMPROU NOVEMBRO

BC divulga hoje novas projeções para inflação, PIB e Selic.

Depois do comunicado ligeiramente mais dovish do Copom, as expectativas de juros de curto prazo começam a migrar para mais um corte.

Comentário: Observe principalmente 2027. Selic de novembro é política monetária. Selic de 2027 é fiscal, eleição e credibilidade misturados na mesma taxa.

FISCAL VOLTA AO CENTRO NA QUINTA-FEIRA

Governo divulga Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas e deverá detalhar espaço para o reajuste do Bolsa Família.

As projeções oficiais mencionadas no material apontam dívida bruta em 83,7% do PIB neste ano, avançando para perto de 90% no fim da década.

Na sexta-feira, Gilmar Mendes decidiu que o reajuste do Bolsa Família, baseado no INPC e sem expansão dos critérios de elegibilidade, não viola a restrição eleitoral analisada no processo.

Comentário: Para a curva longa, a questão deixa de ser jurídica e volta a ser contábil: de onde vem o dinheiro e o que acontece com a trajetória da dívida? É essa conta que interessa ao DI de 2031 em diante.

DI BRASILEIRO CONTINUA RESISTINDO AO TREASURY

Na sexta, o 10 anos americano passou novamente de 5% e a curva doméstica praticamente não abriu.

Jan/31 terminou em 14,02% e Jan/33 em 14,13%, enquanto o dólar fechou a R$ 5,1442.

Comentário: Essa resistência é informação. O exterior está exigindo prêmio maior, mas o Brasil ainda consegue retirar prêmio próprio. Para isso continuar, inflação, fiscal e pesquisas precisam evitar surpresa relevante na mesma direção.

TRUMP–XI COLOCA CHINA DE VOLTA NA TELA

Mercado começa a semana mais otimista antes das negociações entre Estados Unidos e China.

Comércio, inteligência artificial e investimentos estão entre os assuntos acompanhados pelos mercados, enquanto ainda existe incerteza sobre a extensão da trégua comercial.

Comentário: Para emergentes, importa menos a fotografia diplomática e mais o efeito sobre crescimento e fluxo. Menos tensão EUA–China ajuda commodities e risco. Mais tarifa devolve rapidamente dólar e Treasury para o centro do jogo.

VALE GANHA UM NOVO PROBLEMA: FRETE

Custo Brasil–China teria chegado perto de US$ 42 por tonelada.

Segundo o material, a própria companhia avalia que volumes relevantes de minério podem perder viabilidade econômica em determinadas condições de frete.

Isso muda a leitura do papel.

Não basta acompanhar minério. Agora precisa acompanhar quanto custa levar o minério até o cliente.

Minério estável com frete disparando não entrega a mesma margem.

PETROBRAS COMEÇA A SEMANA COM O PETRÓLEO CONTRA

Brent perde mais de 3% nesta manhã depois de já pressionar Petrobras na sexta-feira.

A companhia também segue no radar por subvenções aos combustíveis e pela discussão de sua política de preços no TCU.

Comentário: Para PETR4, três vetores estão misturados: Brent, política de combustíveis e eleição. Quando os três apontam em direções diferentes, o papel pode descolar bastante da leitura pura da commodity.

RADAR DIRETO PARA O TRADER

BTG/Nexus: Lula 40% x Flávio 37% no 1º turno; 46% x 45% no 2º.
Hoje: Quaest.
Quarta: AtlasIntel.
Quinta: Datafolha.
Hoje, 8h25: Focus.
Amanhã: ata do Copom.
Sexta: IPCA-15.
Treasury 10Y: recua após superar 5%.
Brent: região de US$ 100–101.
Dólar: fechou sexta perto de R$ 5,14.
DI: novembro continua no centro da reprecificação.
Quinta: relatório fiscal do governo + Relatório de Política Monetária.
Vale: atenção ao frete.
Petrobras: petróleo volta a pesar.

LEITURA DA MESA

A segunda começa retirando pressão de onde mais doía: petróleo cai, Treasury recua e o exterior abre espaço para risco. Só que o Brasil chega com outra agenda. A eleição continua milimétrica, amanhã vem a ata do Copom e quinta-feira o fiscal volta para a mesa. O mercado brasileiro passou semanas mostrando que consegue andar contra o mundo. Nesta semana pode acontecer o contrário: o mundo ajudar e Brasília precisar provar que não atrapalha.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.