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Call diário 18/9/2026 | Datafolha, Selic e dólar | Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 18 de set. de 2026 11:06:41

 

MORNING CALL – NOVA FUTURA

18 de setembro | Sexta-feira

Datafolha aperta corrida, BC volta ao dólar e BoJ fecha a supersemana com juros em 1,25%

A sexta-feira começa com três leituras importantes para o trader: a disputa eleitoral ficou ainda mais apertada no Datafolha, o Banco Central volta a fornecer dólar ao mercado após nova pressão de liquidez e o Japão encerra a semana dos BCs elevando os juros.

No exterior, o petróleo cai pelo terceiro pregão, mas continua acima de US$ 100, enquanto o Treasury de 10 anos volta para perto de 5%. Por aqui, o mercado já começa a recalcular novembro depois de o Copom deixar aberta a possibilidade de continuar cortando a Selic.

DATAFOLHA: A DISTÂNCIA CAIU PARA O MENOR NÍVEL DA CAMPANHA

Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno; no segundo, 46% a 44%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais. Há uma semana, o primeiro turno estava em 39% a 35%. A diferença atual de três pontos é a menor registrada entre os dois nessa série recente.

Comentário: Empate técnico já deixou de ser surpresa. O mercado agora procura inclinação, não fotografia. Se as pesquisas de segunda-feira confirmarem a redução consistente da distância, o trade eleitoral pode continuar influenciando DI longo, real e Bolsa. Se divergirem, aumenta a chance de realização e ruído.

BOLSA FAMÍLIA COLOCA O FISCAL DE VOLTA NA CAMPANHA

Benefício mínimo sobe de R$ 600 para R$ 691, com reajuste de 15,04%.

O governo afirma que a mudança recompõe a inflação acumulada e começa na folha de outubro. A medida tem impacto estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e também produz discussão sobre as contas de 2027.

Renan Santos apresentou ação no TSE contra o reajuste; a questão jurídica ainda está em disputa. André Mendonça havia rejeitado outra ação sem analisar o mérito, por questão de legitimidade do autor.

Comentário: Para a mesa, a questão é dupla: o benefício pode influenciar percepção eleitoral no curto prazo, enquanto o financiamento da medida mexe com a percepção fiscal de 2027. Eleição e fiscal voltam a andar no mesmo trade.

10H30: BC ENTRA COM LINHA DE US$ 1 BILHÃO

Banco Central atua depois de nova pressão no cupom cambial e saída relevante de recursos.

O fluxo cambial acumulado entre 1º e 11 de setembro está negativo em US$ 5,99 bilhões, enquanto os FRAs de prazo curto mostraram pressão.

Comentário: Isso merece atenção. O dólar à vista parece uma rocha perto de R$ 5,10–5,20, mas a liquidez por baixo da superfície está menos tranquila. A intervenção não significa necessariamente defesa de nível; mostra necessidade de melhorar a engrenagem do mercado.

NOVEMBRO COMEÇA A GANHAR UM CORTE DA SELIC

Maioria das instituições ouvidas após o Copom já projeta mais 25 pontos de redução.

No levantamento citado, 20 de 36 casas esperam Selic em 13,50% em novembro, enquanto 15 trabalham com manutenção em 13,75%.

Comentário: A palavra-chave agora é confirmação. Atividade mais fraca abre espaço. Petróleo, câmbio e expectativas de inflação definem se o BC consegue usá-lo. A ata de terça-feira vira documento importante para o DI curto.

2027 JÁ É OUTRA CONVERSA PARA OS JUROS

Mesmo com mais corte no curto prazo, projeções para o fim de 2027 ficaram mais altas.

O mercado começa a separar duas histórias: desaceleração econômica permitindo redução agora e incerteza fiscal limitando a queda estrutural depois.

Comentário: Essa separação é fundamental. O Copom consegue cortar 25 pontos com atividade fraca. Para derrubar a parte longa de verdade, o mercado vai exigir uma história fiscal que sobreviva à eleição.

BOJ SUBIU PARA 1,25% MAS O IENE NÃO COMPROU A HISTÓRIA

Banco do Japão elevou os juros em 25 pontos-base.

O BoJ confirmou nova alta nesta sexta-feira. A decisão encerra uma semana com aperto monetário também nos EUA, enquanto o Brasil seguiu na direção contrária.

Comentário: O interessante não é apenas o 1,25%. É o fato de o Japão estar deixando de ser, aos poucos, aquela fonte quase gratuita de financiamento global. Se o ciclo continuar, carry trade passa a ter mais um risco para administrar.

PETRÓLEO CAI PELO TERCEIRO DIA MAS CONTINUA COM TRÊS DÍGITOS

Brent volta para abaixo de US$ 104 e WTI gira perto de US$ 101.

Sinais diplomáticos e melhora parcial de rotas de fornecimento reduziram o prêmio, embora Ormuz e Mar Vermelho continuem cercados de incerteza.

Comentário: Esse recuo é importante para os juros. Mas a régua continua simples: US$ 103 é alívio em relação a US$ 108. Não é normalização em relação ao mundo pré-choque.

TREASURY VOLTA A RONDAR 5%

10 anos americano opera perto de 4,96% mesmo com a melhora recente do petróleo.

O Fed adotou uma postura mais dura nesta semana e o mercado continua discutindo novos aumentos.

Comentário: Essa região continua sendo a barreira para risco global. Enquanto o 10 anos rondar 5%, qualquer rali de Bolsa precisa provar que lucro e crescimento compensam uma renda fixa americana extremamente competitiva.

DÓLAR E DI ABSORVERAM O SUSTO DO BOLSA FAMÍLIA

Dólar terminou em R$ 5,1393 e os juros longos fecharam depois de forte piora pela manhã.

Jan/31 terminou em 14,04% e Jan/33 em 14,165%. O Ibovespa virou a sessão e fechou aos 185.992 pontos, +0,24%.

Comentário: O comportamento diz muito sobre posicionamento: notícia ruim provoca susto; falta de confirmação provoca recompra. Mas essa resistência começa a depender cada vez mais da sequência das pesquisas e do fluxo.

BRASKEM: CREDORES AUMENTAM A PRESSÃO

Bondholders resistem à proposta de reestruturação, segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg.

A resistência aumenta a discussão sobre necessidade de novos recursos e sobre o papel dos acionistas na solução financeira da companhia.

Comentário: Aqui o trader precisa separar preço de sobrevivência financeira. Quanto mais difícil a negociação com credores, maior o risco de uma solução que envolva capital novo, diluição ou mudança profunda na estrutura financeira.

RADAR DIRETO PARA O TRADER

Datafolha: Lula 39% x Flávio 36% no 1º turno; 46% x 44% no 2º.
Segunda-feira: novas Quaest e BTG/Nexus.
Bolsa Família: reajuste de 15,04% entra no fiscal e no debate eleitoral.
10h30: linha do BC de até US$ 1 bilhão.
Fluxo cambial: -US$ 5,99 bilhões no mês até dia 11.
Selic novembro: mercado começa a inclinar para 13,50%.
BoJ: juros em 1,25%.
Treasury 10Y: perto de 5%.
Brent: abaixo de US$ 104, mas ainda acima de US$ 100.
10h15: produção industrial dos EUA.
B3: vencimento de opções sobre ações.
Braskem: negociação com credores no radar.

LEITURA DA MESA

A sexta termina a semana dos bancos centrais, mas abre de vez a semana da eleição. O Datafolha reduziu novamente a distância, novembro começa a ganhar outro corte da Selic e o BC precisa colocar dólar no mercado mesmo com o real aparentemente tranquilo. Lá fora, petróleo respira, mas Treasury continua rondando 5% e o Japão aumenta juros. O cenário ficou curioso: menos tensão no petróleo, mais dúvida no fluxo e uma eleição cada vez mais apertada. Para o trader, agora o detalhe vale mais que a manchete.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

Investimentos nos mercados financeiro e de capitais envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros.