Resumo do dia 17/08
MORNING CALL – NOVA FUTURA
17 de agosto
Segunda-feira
Campanha começa oficialmente, gringo reduz Brasil e IBC-Br testa o corte de setembro
A semana começa com o mercado brasileiro já mergulhado no trade eleitoral. Lula e Flávio Bolsonaro lançaram oficialmente suas campanhas, enquanto o estrangeiro acelerou a redução de exposição: o fluxo na B3 já está negativo em R$ 13,6 bilhões em agosto até o dia 12.
O dólar terminou a semana acima de R$ 5,20, o Ibovespa acumulou nove pregões consecutivos de baixa e a curva longa abriu mais de 30 pontos na semana. Hoje, o IBC-Br testa a tese de desaceleração da economia e Galípolo fala ao meio-dia, num momento em que setembro continua vivo para o Copom.
Lá fora, tecnologia sustenta os futuros americanos e o petróleo permanece perto de US$ 89, mesmo com a guerra no Oriente Médio cada vez mais distante de uma solução.
Lula e Flávio largam oficialmente, mas o prêmio eleitoral já apareceu nos ativos.
Explicação
A BTG/Nexus mantém Lula com 47% e Flávio com 44% em eventual segundo turno, os mesmos números da rodada anterior. A Quaest divulgada na sexta mostrou cenário diferente, com 43% a 40%, dentro da margem de erro.
Lula promete apresentar o plano de governo nas próximas semanas. Flávio iniciou a campanha reforçando propostas de redução de gastos e cargos públicos.
Comentário: Pesquisa isolada não é trade. O que mudou é que fluxo, dólar e DI longo começaram a reagir à incerteza eleitoral antes mesmo de outubro chegar perto. A campanha agora tem preço de tela.
O estrangeiro está reduzindo Brasil em velocidade.
O fluxo externo na Bolsa acumulava saída de R$ 13,6 bilhões no mês até o dia 12, concentrada principalmente nos últimos pregões.
O movimento veio junto do downgrade do JPMorgan e da decisão do Citi de retirar o real de sua estratégia de carry para emergentes.
Comentário: Pode haver discussão sobre quanto dessa saída é eleitoral e quanto é desmonte técnico de posições. Para o trader, a consequência é a mesma: sem o gringo, qualquer recuperação do Ibovespa começa com pouca munição.
Nem o enfraquecimento global do dólar conseguiu salvar o real.
O dólar terminou sexta-feira em R$ 5,2199, com alta de 2,67% na semana, mesmo depois de CPI e PPI americanos ajudarem a enfraquecer o DXY.
O Citi retirou o real de sua cesta de carry trade, citando aumento esperado da volatilidade eleitoral.
Comentário: O juro brasileiro continua alto, mas carregar real deixou de ser apenas conta de diferencial de juros. Quando risco político e fiscal aumenta, o prêmio do carry precisa pagar também a volatilidade.
Atividade deve cair 0,5% em junho.
A expectativa é de retração mensal de 0,50% no IBC-Br, depois de avanço marginal no mês anterior.
O número incorpora uma indústria que caiu 1,8% e um varejo ampliado também fraco.
Atividade perdendo força reforça o argumento para novo corte da Selic.
Mas existe uma diferença importante: desaceleração ajuda o DI curto; deterioração econômica demais começa a machucar lucro e crédito.
O presidente do BC entra em cena com a curva dividida entre corte curto e prêmio longo.
Galípolo participa da abertura da Conferência Anual do Santander às 12h.
A ponta curta ainda considera possível novo corte de 25 pontos-base, enquanto a parte longa da curva voltou a subir com fiscal, eleição e saída estrangeira.
O BC pode continuar falando em dados.
O mercado vai ouvir outra coisa: existe espaço para 13,75% mesmo com dólar acima de R$ 5,20 e prêmio eleitoral crescendo?
A Bolsa perdeu mais de 3% na semana e continua descolada dos emergentes.
O Ibovespa fechou sexta-feira em 166.934 pontos, completando nove sessões consecutivas no vermelho.
Enquanto o ETF brasileiro EWZ caiu mais de 4% na semana, o índice de emergentes EEM avançou.
Esse descolamento importa.
Já não é uma correção global. Brasil virou trade específico e fundo só começa a ser confiável quando preço para de cair e fluxo confirma.
Ormuz segue precário, mas fluxos alternativos evitam um choque maior de oferta.
Brent terminou a semana perto de US$ 88,50, mesmo com deterioração do conflito no Líbano, Mar Vermelho e nas negociações entre EUA e Irã.
A explicação está parcialmente nos volumes que continuam deixando o Golfo Pérsico por operações alternativas e transferências entre embarcações.
É uma situação peculiar:
a guerra mantém o prêmio; a logística clandestina limita a explosão.
Enquanto essa engenharia funcionar, US$ 150 parece distante. Se falhar, a conta muda rapidamente.
Foz do Amazonas entrega hidrocarbonetos, mas ainda faltam tamanho, qualidade e viabilidade.
A Petrobras identificou presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Margem Equatorial.
A companhia ainda não forneceu informações suficientes sobre volume recuperável ou viabilidade econômica.
Comentário: É positivo estrategicamente, mas cedo para colocar no modelo. Descoberta vira valor quando geologia vira reserva, reserva vira projeto e projeto vira caixa. Até lá, é opcionalidade.
O problema de balanço deixou de ser risco e virou processo formal.
O conselho aprovou o ajuizamento de recuperação judicial após o grupo registrar prejuízo ajustado de R$ 978 milhões e prejuízo contábil superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre.
A companhia já havia fechado centenas de lojas durante sua reestruturação.
Comentário: É outro alerta sobre o efeito acumulado dos juros altos. A desaceleração que ajuda o Copom também está cobrando a conta nas empresas mais alavancadas e dependentes de consumo e crédito.
Lucro dispara e Ebitda avança mais de 200%.
A Vibra reportou lucro líquido de R$ 2,35 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 4,5 bilhões, além de aprovar aproximadamente R$ 499 milhões em JCP.
Num mercado cheio de histórias de desalavancagem e deterioração, resultado forte ganha prêmio.
É a diferença entre empresa que está gerenciando o ciclo e empresa que está sendo gerenciada por ele.
IBC-Br: queda forte reforça setembro; surpresa positiva pode abrir DI curto.
Galípolo: qualquer indicação sobre atividade, inflação ou câmbio pode mexer na curva.
Ibovespa: nove quedas; fluxo estrangeiro continua sendo o primeiro indicador.
Dólar: acima de R$ 5,20, virou termômetro eleitoral/fiscal.
DI curto: continua negociando possibilidade de corte.
DI longo: fiscal e eleição seguem dominando.
Petróleo: logística segura o preço, guerra mantém o prêmio.
Petrobras: descoberta é positiva, mas ainda sem escala conhecida.
Casas Bahia: recuperação judicial coloca varejo alavancado novamente no radar.
XP: balanço após o fechamento.
A campanha começou oficialmente, mas o mercado chegou primeiro: R$ 13,6 bilhões de estrangeiro já deixaram a Bolsa, o dólar rompeu R$ 5,20 e o Ibovespa cai há nove pregões. Hoje, IBC-Br e Galípolo testam o corte de setembro, enquanto petróleo e guerra mantêm o risco externo. O curto ainda negocia Selic menor o longo já negocia outubro.