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Call diário 14/09/2026 | Fed, Copom e Brent | Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 14 de set. de 2026 11:19:19

 

MORNING CALL NOVA FUTURA

14 de setembro | Segunda-feira

Superquarta encontra Brent a US$ 108, STF entra em “superterça” e eleição volta a mexer no preço de 2027

A semana começa com três frentes capazes de mudar completamente a direção dos ativos: Fed e Copom na quarta-feira, julgamento no STF amanhã e petróleo novamente acima de US$ 108.

Nos Estados Unidos, o mercado já atribui quase 90% de probabilidade a uma alta do Fed. No Brasil, o corte de 25 pontos da Selic para 13,75% está praticamente contratado, mas a comunicação do Copom será mais importante que a decisão. E, no político, a BTG/Nexus devolveu Lula à liderança numérica contra Flávio Bolsonaro, enquanto uma nova Quaest chega hoje.

BRENT A US$ 108 REABRE A CONTA DA INFLAÇÃO

Negociação sobre Ormuz é adiada e petróleo volta a disparar.

A reunião entre Irã e países do Golfo foi adiada sem nova data, enquanto novos ataques atingiram rotas alternativas ao Estreito. O Brent voltou para acima de US$ 108.

Comentário: O mercado deixou de discutir um choque curto. Se Ormuz continua restrito e até as rotas alternativas ficam ameaçadas, petróleo caro começa a parecer condição e não acidente. Isso muda inflação, juros e valuation.

FED CHEGA À QUARTA COM QUASE 90% DE CHANCE DE ALTA

CPI mais forte e nova disparada do petróleo consolidam expectativa de +25 pontos-base.

A inflação americana avançou 0,4% em agosto, enquanto o núcleo veio acima do consenso. O Treasury de 10 anos terminou a semana perto de 5%.

Comentário: A alta de quarta parece bastante precificada. O verdadeiro trade será Warsh. Se ele vender setembro como movimento isolado, o mercado respira. Se abrir a porta para sequência de altas, 5% no Treasury pode deixar de ser teto e virar ponto de passagem.

COPOM VAI NA DIREÇÃO OPOSTA E O CARRY ENCOLHE

Mercado espera corte de 25 pontos, levando a Selic para 13,75%.

Das 78 instituições consultadas no material, 75 projetam corte. O IPCA de agosto também ajudou: -0,32% no mês e 4,22% em 12 meses.

Comentário: A decisão está praticamente contratada. A pergunta é a próxima. Fed sobe e Copom corta: o diferencial diminui. Por isso, cada sinal sobre novembro valerá mais para dólar e DI do que os próprios 25 pontos desta quarta.

IPCA AJUDOU MAS NÃO DEU PASSE LIVRE AO BC

Deflação veio melhor que o esperado e núcleos também melhoraram.

A energia elétrica respondeu sozinha por -0,33 ponto do IPCA com o bônus de Itaipu. Sem ela, a inflação teria ficado praticamente estável.

Os núcleos melhoraram, mas medidas subjacentes ainda mostram resistência.

Comentário: É um bom dado, mas com prazo de validade. Itaipu ajuda setembro; petróleo e El Niño discutem os meses seguintes. Por isso, acelerar cortes continua sendo outra conversa.

AMANHÃ, 10H: O STF ENTRA DIRETAMENTE NO PREGÃO

Plenário decide se avança ou arquiva a investigação envolvendo Moraes e Vorcaro.

A sessão será pública e transmitida ao vivo. Um pedido de vista é apontado como movimento provável, enquanto ministros ainda discutem acesso a materiais do celular de Vorcaro.

A análise sobre André Mendonça ficou separada para 23 de setembro.

Comentário: Esse não será um evento para acompanhar depois do fechamento. Vai acontecer com Bolsa, dólar e DI abertos. Cada voto pode ser interpretado imediatamente como consequência institucional e eleitoral.

LULA RETOMA A DIANTEIRA NUMÉRICA E O TRADE ELEITORAL PERDEU A LINHA RETA

BTG/Nexus mostra Lula 47% x Flávio 46% no segundo turno.

Na pesquisa anterior, Flávio aparecia numericamente à frente por 46% a 45%. As oscilações permanecem dentro da margem de erro de dois pontos.

A Quaest sai hoje.

Comentário: Essa é a principal mudança para o trader. A eleição continua apertada, mas deixou de entregar notícia favorável sempre na mesma direção. Depois do rali recente, pesquisa volta a ter capacidade de tirar prêmio ou devolver.

STF JÁ INTERROMPEU O RALI NA SEXTA

Ibovespa caiu, dólar voltou a R$ 5,12 e DI longo devolveu parte do fechamento recente.

O Ibovespa encerrou em 187.206 pontos, o dólar em R$ 5,1254, enquanto os juros longos voltaram a abrir após novos desdobramentos envolvendo Master e Dark Horse.

Comentário: Foi um aviso importante. O trade eleitoral não morreu. Mas deixou de ser uma estrada de mão única. A partir daqui, política começa a gerar volatilidade nos dois sentidos.

BOJ PODE TESTAR O CARRY TRADE GLOBAL NA SEXTA

Mercado trabalha com possibilidade de alta de 25 pontos no Japão.

Depois da forte valorização do iene e da atuação coordenada com os Estados Unidos, o BoJ pode levar os juros a 1,25%.

Comentário: Fed mais alto já é ruim para carry. BoJ mais alto ataca o financiamento do outro lado. Se os dois apertarem na mesma semana, emergentes perdem uma parte importante do colchão de liquidez global.

IA GANHA UM NOVO RISCO: OS PRÓPRIOS LÍDERES PEDINDO FREIO

Executivos de Anthropic, OpenAI e outras empresas defendem mais controles sobre modelos avançados.

O debate sobre segurança ganhou força no fim de semana e já pressiona futuros do Nasdaq.

Comentário: Até agora, o mercado discutia IA em duas variáveis: crescimento e valuation. Agora apareceu uma terceira: velocidade regulatória. Quando a própria indústria pede cautela, o prêmio de crescimento passa a carregar risco político e tecnológico também.

BC VOLTA AO CÂMBIO AMANHÃ

Novo casadão de US$ 1 bilhão está previsto para terça-feira.

A operação acontece depois de semanas de forte sensibilidade do real ao fluxo, ao trade eleitoral e à redução do diferencial de juros.

Comentário: Com Fed subindo e Copom cortando, o câmbio ganha importância extra. Se o dólar perder novamente a região de R$ 5,10 para cima, o próprio espaço de flexibilização do BC pode começar a ser questionado.

RADAR DIRETO PARA O TRADER

Hoje: Quaest e Focus.
Amanhã, 10h: sessão extraordinária do STF.
Quarta: Fed + Copom.
Fed: quase 90% de chance de alta.
Copom: corte de 25 pontos praticamente contratado.
Sexta: possível alta do BoJ.
Brent: acima de US$ 108.
Treasury 10Y: encostando em 5%.
Ibovespa: 187 mil após interrupção do rali.
Dólar: voltou para R$ 5,12.
DI: ponta curta olha Copom; longa continua olhando eleição e fiscal.
BC: novo casadão amanhã.
STF/Master/Dark Horse: principal fonte doméstica de volatilidade política.

LEITURA DA MESA

Essa semana tem duas superquartas escondidas em uma só. A oficial traz Fed subindo e Copom cortando. Antes dela, a terça coloca o STF dentro do pregão e pode redefinir o trade eleitoral que sustentou o Brasil nas últimas semanas. Tudo isso com Brent acima de US$ 108 e Treasury rondando 5%. O mercado brasileiro ainda tem argumentos próprios inflação melhor e eleição competitiva mas agora precisa enfrentar três adversários ao mesmo tempo: juros globais, petróleo e Brasília.

Este conteúdo possui caráter meramente informativo e educacional, não devendo ser interpretado como oferta, solicitação de oferta, recomendação personalizada de investimento ou aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. As decisões de investimento devem considerar os objetivos, perfil de risco e situação financeira específica de cada investidor.

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