MORNING CALL NOVA FUTURA
14 de agosto | Sexta-feira
Fed ganha espaço para esperar, mas o alívio externo continua sem passaporte para o Brasil
CPI e PPI americanos reduziram a pressão para uma alta imediata do Fed, Wall Street segue perto das máximas e o dólar perde força no exterior. Aqui, porém, a história continua outra: quase R$ 12 bilhões de capital estrangeiro já deixaram a B3 em agosto, o dólar se aproxima de R$ 5,20 e o Ibovespa chega à oitava queda consecutiva.
A eleição e o fiscal passaram a cobrar prêmio de forma explícita. Flávio Bolsonaro apresenta um programa baseado em superávits e redução da dívida, Lula entra no fim de semana de lançamento da candidatura e a Quaest pode adicionar volatilidade ainda hoje. Para completar, Brasil e Estados Unidos abrem uma nova frente de tensão comercial.
CPI E PPI FIZERAM 2 A 0 PARA A PAUSA DO FED
Inflação americana esfria e setembro perde força como reunião de aperto.
Depois do CPI comportado, o PPI também veio benigno. O mercado passou a atribuir probabilidade majoritária de manutenção dos juros em setembro e outubro, empurrando para dezembro a principal aposta de nova alta.
Hoje, vendas no varejo e confiança de Michigan testam o lado da atividade.
Comentário: O Fed ganhou tempo, não resolveu o problema. Inflação melhor + emprego mais fraco é uma combinação positiva para risco. Mas ainda faltam payroll, PCE, novas leituras de inflação e Jackson Hole.
PETRÓLEO CAI MAS NÃO CONFUNDA COM PAZ
Brent recua para a região de US$ 87 mesmo com Ormuz ainda travado.
O petróleo caiu mais de 2%, pressionado por estoques maiores e revisões para baixo na demanda de Opep e AIE.
Ao mesmo tempo, Washington mantém pressão sobre Teerã, o tráfego por Ormuz continua extremamente reduzido e novos ataques foram registrados na região.
Comentário: O fundamento conseguiu vencer a geopolítica por um pregão. Mas Ormuz fechado continua sendo uma opção de compra embutida no petróleo. Qualquer escalada pode recolocar prêmio rapidamente.
FLÁVIO COLOCA O FISCAL NO CENTRO DA CAMPANHA
Plano promete superávit primário, controle de despesas e redução da dívida/PIB.
O programa de Flávio Bolsonaro prevê reformulação das regras fiscais, limitação dos gastos discricionários dos três Poderes, redução do crédito subsidiado e estabilização seguida de queda da dívida pública.
Também menciona privatizações, redução de ministérios e revisão tributária.
Comentário: A direção do discurso conversa com a principal preocupação do mercado. Agora vem a parte difícil: tamanho do ajuste, prazo, despesas atingidas e capacidade de aprovação no Congresso. Programa fiscal ganha preço quando vira planilha.
O FISCAL JÁ VIROU PRÊMIO NÃO É MAIS SÓ DISCUSSÃO
As medidas aprovadas pelo Congresso não foram suficientes para convencer a curva longa.
A nova trava pode abrir aproximadamente R$ 10 bilhões no Orçamento de 2027, mas economistas destacam que o ajuste necessário para estabilizar a dívida seria muito maior.
Ao mesmo tempo, o projeto dos combustíveis adicionou benefícios, subsídios e exceções fiscais.
Comentário: O mercado já saiu da fase de perguntar se haverá ajuste. Agora quer saber quem fará, quanto fará e se conseguirá executar depois da eleição.
QUASE R$ 12 BILHÕES FORAM EMBORA E O FLUXO CONTINUA MANDANDO
A retirada estrangeira acelerou justamente quando a eleição entrou no preço.
Somente na terça-feira, a saída estrangeira teria alcançado R$ 4,7 bilhões, levando a retirada acumulada no mês para perto de R$ 12 bilhões.
Há debate sobre a origem do movimento: eleição e fiscal para alguns gestores; desmontagem técnica de posições muito concentradas para outros.
Comentário: A causa pode ser discutida. O dinheiro saindo, não. Enquanto o fluxo não estabilizar, tentar fundo no Ibovespa continua sendo muito mais timing do que valuation.
O IBOVESPA CHEGA À OITAVA QUEDA E NOVA YORK NÃO É MAIS DESCULPA
S&P renova recorde; Bolsa brasileira continua sangrando.
O Ibovespa fechou em 167.101 pontos, completando oito pregões consecutivos de baixa.
Enquanto isso, o S&P 500 renovou máxima histórica e o Nasdaq avançou com tecnologia.
Comentário: Esse descolamento é a informação mais importante da tela. O problema deixou de ser global. Brasil está negociando risco específico.
DÓLAR ENCOSTA EM R$ 5,20 MESMO COM DXY FRACO
Quatro altas consecutivas transformam o câmbio no termômetro do risco doméstico.
O dólar terminou em R$ 5,1930, mesmo com enfraquecimento da moeda americana no exterior e queda dos Treasuries.
Fluxo estrangeiro negativo e desmontagem de posições compradas em real continuam pressionando.
Comentário: É difícil pedir um sinal mais claro: quando Treasury cai, DXY cai e o dólar sobe no Brasil, o prêmio é nosso. O carry ainda oferece proteção, mas deixou de comandar sozinho.
BRASIL E EUA ABREM OUTRA FRENTE DE RISCO
Governo brasileiro inicia processo para eventual aplicação da Lei da Reciprocidade.
O movimento responde às medidas comerciais americanas e abre formalmente uma etapa de consultas diplomáticas.
O governo brasileiro afirma que ainda prioriza negociação, mas prepara instrumentos de reação caso sejam necessários.
Comentário: O trader ganhou mais uma variável doméstica. Fiscal + eleição + fluxo já eram suficientes. Escalada comercial adiciona câmbio, empresas exportadoras e prêmio diplomático à equação.
NUBANK PASSA DE US$ 1 BILHÃO E O MERCADO GOSTOU
Lucro recorde, ROE de 33% e crescimento forte do crédito.
O Nubank reportou lucro líquido de aproximadamente US$ 1,1 bilhão, acima das expectativas, com receita crescendo 39% e carteira de crédito avançando 37%.
As ações reagiram com forte alta no after hours.
O ponto de atenção continua sendo a inadimplência acima de 90 dias, que avançou para 6,9%.
Comentário: Esse é o tipo de resultado que o mercado queria: crescimento com rentabilidade. Agora a pergunta muda: até onde é possível acelerar crédito sem transformar crescimento em custo de risco?
RAÍZEN MOSTRA SINAIS DE RECUPERAÇÃO MAS A DÍVIDA CONTINUA NA SALA
Ebitda melhora, distribuição reage e açúcar perde força.
O Ebitda ajustado mais que dobrou, enquanto a distribuição de combustíveis apresentou melhora.
Por outro lado, a companhia ainda registrou prejuízo líquido relevante e permanece em processo de reestruturação financeira.
Comentário: O operacional começa a respirar. Mas, como em outras empresas muito alavancadas, melhora de Ebitda só vira tese de equity quando começa a melhorar o balanço.
BRASKEM ENTREGA O BALANÇO MAS O EVENTO CONTINUA SENDO A ESTRUTURA DE CAPITAL
Lucro volta, Ebitda dispara e rumores de reestruturação seguem no radar.
A Braskem reverteu prejuízo e apresentou lucro líquido de cerca de R$ 3,3 bilhões, com avanço forte do Ebitda.
Mesmo assim, o mercado continua acompanhando notícias relacionadas à estrutura financeira e eventual recuperação extrajudicial.
Comentário: Resultado operacional ajuda. Mas em companhia sob discussão de dívida e governança, balanço trimestral é fotografia; estrutura de capital é o filme.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Fed: CPI + PPI favorecem manutenção dos juros no curto prazo.
Treasuries: varejo e Michigan testam a tese de desaceleração.
Petróleo: queda de demanda segura o Brent; Ormuz mantém o risco de cauda.
Ibovespa: oito quedas e fluxo estrangeiro continuam dominando.
Dólar: R$ 5,20 vira região importante de monitoramento.
DI curto: setembro continua com espaço para corte do Copom.
DI longo: fiscal e eleição seguem cobrando prêmio.
Quaest: pode adicionar volatilidade ao trade eleitoral.
Nubank: resultado forte coloca fintechs e bancos no radar.
Raízen/Braskem: operação melhora, mas estrutura financeira continua decisiva.
LEITURA DA MESA
Lá fora, CPI e PPI deram ao Fed espaço para esperar. Aqui, o mercado não está esperando ninguém: quase R$ 12 bilhões já deixaram a B3, o dólar se aproxima de R$ 5,20 e o Ibovespa chega à oitava queda. Flávio coloca superávit e dívida no programa, Lula entra no fim de semana de campanha e o fiscal virou preço. O exterior está dando alívio o Brasil é que ainda precisa aceitar.
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