Petróleo volta ao centro do mercado enquanto inflação dos EUA e tarifaço colocam a semana à prova.
A semana começa com a geopolítica retomando o protagonismo. A escalada entre Estados Unidos e Irã elevou novamente o prêmio de risco no petróleo, reacendendo preocupações com inflação global justamente na semana em que os mercados acompanharão o CPI americano, os primeiros balanços de Wall Street e a decisão dos EUA sobre as tarifas contra o Brasil.
No mercado doméstico, o IPCA benigno divulgado na sexta-feira abriu espaço para uma forte queda da curva de juros, mas o novo choque do petróleo pode limitar esse movimento. O Focus, a reunião entre Gabriel Galípolo e Dario Durigan e a aproximação do prazo final do tarifaço entram no radar dos investidores.
O fim de semana foi marcado por uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. Teerã voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado "até novo aviso", enquanto os EUA disseram que manterão a rota aberta militarmente.
O Brent chegou a operar próximo de US$ 79 durante a madrugada, antes de reduzir parte da alta, enquanto o WTI voltou para a região de US$ 73.
O risco de interrupção do fluxo de petróleo recoloca a inflação global no radar justamente quando o mercado começava a discutir cortes de juros.
Comentário: Na última semana o mercado comemorou um IPCA mais fraco no Brasil. Agora, o petróleo pode recolocar pressão sobre expectativas inflacionárias e reduzir parte do otimismo com cortes de juros.
A agenda internacional ganha força nesta semana com:
CPI dos EUA (terça-feira);
PPI americano;
Livro Bege do Fed;
depoimentos de Kevin Warsh no Congresso;
início da temporada de balanços dos grandes bancos americanos (JP Morgan, Goldman Sachs, Citi, Bank of America e Wells Fargo).
A expectativa é entender se a inflação americana permitirá ao Fed iniciar o ciclo de cortes ainda este ano.
Comentário: Depois do forte movimento provocado pelo petróleo, o CPI passa a ser o principal evento da semana. Um dado acima do esperado pode fortalecer ainda mais os juros americanos.
Na sexta-feira, o IPCA surpreendeu positivamente:
inflação de junho: 0,16%;
núcleos mostraram desaceleração;
mercado ampliou apostas para cortes da Selic.
A curva passou a precificar aproximadamente:
22 pontos-base de corte em agosto;
aumento das apostas para novos cortes em setembro.
Comentário: O cenário melhorou bastante para os ativos locais, mas um petróleo persistentemente elevado pode voltar a contaminar as expectativas de inflação.
O prazo para a decisão americana sobre as tarifas contra produtos brasileiros termina em 15 de julho.
O governo brasileiro segue negociando, mas fontes em Brasília reconhecem aumento da probabilidade de confirmação das tarifas.
Além disso, cresce a percepção de que minerais críticos passaram a fazer parte da disputa estratégica entre Estados Unidos e China.
Comentário: Caso o tarifaço seja confirmado, o impacto pode atingir exportações, câmbio, expectativas de crescimento e confiança dos investidores.
A agenda doméstica traz:
Boletim Focus;
reunião entre Gabriel Galípolo, Dario Durigan e Rogério Ceron;
reunião trimestral do BC com economistas.
Após o IPCA mais fraco, o mercado buscará sinais sobre o ritmo do ciclo de cortes da Selic.
Comentário: Qualquer indicação de alinhamento entre Banco Central e Fazenda tende a influenciar diretamente a precificação da curva de juros.
Os grandes bancos americanos abrem oficialmente a temporada de resultados.
Também seguem no radar:
setor de inteligência artificial;
semicondutores;
expectativa sobre resultados da ASML e empresas ligadas ao ciclo de IA.
Comentário: Depois da forte valorização das ações de tecnologia, os resultados precisarão confirmar que o crescimento dos lucros continua justificando os valuations elevados.
A pesquisa BTG/Nexus mostrou estabilidade eleitoral:
Lula: 47%
Flávio Bolsonaro: 44%
Jair Bolsonaro divulgou carta declarando apoio formal à candidatura de Flávio, enquanto continuam as articulações para definição da chapa da oposição.
Comentário: Embora o foco imediato continue sendo macroeconomia, o mercado permanece atento à evolução do cenário eleitoral e ao debate sobre ajuste fiscal.
Petrobras
O BNDES e a Petrobras avaliam a criação de um fundo voltado para investimentos em minerais críticos.
Oi
A companhia assinou a venda da UPI Serviços Telefônicos, dando sequência ao processo de reestruturação.
Brasil
08h25 – Boletim Focus
11h30 – Leilão de swap cambial
15h00 – Balança comercial semanal
17h30 – Reunião entre Gabriel Galípolo, Dario Durigan e Rogério Ceron
Exterior
Discurso de Christopher Waller (Fed)
CPI dos EUA
PPI dos EUA
Livro Bege do Fed
Balanços dos grandes bancos americanos
Decisão dos EUA sobre tarifas contra o Brasil (15 de julho)
Dados da China (PIB, produção industrial e vendas no varejo)
Depois do alívio proporcionado pelo IPCA brasileiro, o mercado volta a negociar risco geopolítico. A semana promete ser decisiva para entender se o choque do petróleo será apenas temporário ou suficiente para alterar novamente as expectativas para inflação, juros e ativos globais.