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Call diário 04/08/2026 | Selic, produção e balanços | Nova Futura

Written by Alan Martins, analista CNPI-T na Nova Futura Investimentos | 4 de ago. de 2026 11:15:39

Resumo do dia 04/08

Indústria testa o segundo corte da Selic; Tesouro mede a confiança e Itaú assume o comando dos balanços.

A um dia da decisão do Copom, o mercado brasileiro recebe um dado capaz de mexer diretamente com a discussão sobre setembro. A produção industrial deve mostrar nova contração em junho, reforçando que os juros elevados finalmente começam a atingir a atividade.

O corte de 0,25 ponto percentual da Selic para 14% está praticamente contratado. A curva, porém, já incorpora parte de uma nova flexibilização em setembro. Por isso, um número mais fraco pode ampliar o fechamento dos DIs curtos, enquanto uma surpresa positiva devolveria força à tese de pausa.

No exterior, tecnologia sustenta o apetite por risco depois que a Palantir elevou projeções e reforçou o otimismo com inteligência artificial. O petróleo volta a subir porque o discurso de negociação entre Estados Unidos e Irã ainda não se transformou em normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

Na B3, o Tesouro testa a demanda por NTN-Bs em um período de baixa colocação dos títulos de inflação, enquanto Itaú, Gerdau, Prio e outras companhias divulgam resultados após o fechamento.

A indústria pode definir o tamanho da aposta para setembro

A queda de junho pode transformar desaceleração em argumento para mais um corte.

A produção industrial será divulgada às 9h.

A pesquisa da Bloomberg aponta expectativa de queda de 0,9% na comparação mensal, enquanto o levantamento do Broadcast indica recuo de 0,6%, depois de uma baixa de 0,2% em maio.

Na comparação anual, a projeção é de crescimento próximo de 3%, refletindo uma base de comparação mais favorável.

O enfraquecimento mensal deve vir principalmente da indústria extrativa e do processamento de petróleo.

Comentário: O número cheio importa, mas a composição será decisiva. Queda concentrada em petróleo tem uma leitura diferente de uma fraqueza disseminada em bens de capital, consumo e indústria de transformação. Quanto mais amplo o recuo, maior a pressão para o Copom manter setembro aberto.

O corte de amanhã está no preço

O mercado não discute mais a decisão; discute a próxima frase do Banco Central.

O consenso é de redução de 0,25 ponto percentual da Selic, de 14,25% para 14% ao ano.

A expectativa foi construída por uma sequência de indicadores mais benignos:

IPCA-15 praticamente zerado;

forte deflação do IGP-M;

atividade perdendo força;

moderação gradual do emprego;

redução recente do petróleo;

melhora das projeções de inflação para 2026.

HSBC, XP, Santander e Itaú esperam que o Copom evite antecipar seus próximos passos e preserve a decisão reunião a reunião.

Comentário: O risco não está em um corte de 0,25 ponto. O risco está em o mercado enxergar no comunicado uma porta aberta para setembro ou uma advertência de que agosto será o último movimento do ciclo.

Setembro já começou a ser negociado

A curva incorpora uma flexibilização parcial antes mesmo de conhecer o comunicado.

Os contratos futuros já precificam aproximadamente 15 pontos-base de redução para a reunião de setembro.

Isso representa uma probabilidade maior de novo corte de 0,25 ponto, mas ainda distante de um consenso absoluto.

Santander e Bank of America passaram a projetar Selic em 13,75% em setembro. HSBC e XP ainda trabalham com a possibilidade de pausa, embora admitam extensão do ciclo caso inflação e atividade continuem surpreendendo para baixo.

Comentário: Agosto virou consenso. Setembro virou posição. Um comunicado mais aberto pode fechar a ponta curta. Um texto que destaque fiscal, expectativas desancoradas e assimetria de riscos pode desmontar rapidamente essa precificação.

Inflação corrente melhora; expectativas continuam incômodas

O Copom recebe ajuda do presente, mas ainda enfrenta resistência no futuro.

O Focus reduziu a projeção de inflação de 2026 de 5,12% para 5,03%.

As estimativas para os anos seguintes, porém, permaneceram elevadas:

IPCA de 2027: 4,22%;

IPCA de 2028: 3,80%.

A Bradesco Asset também reduziu sua projeção para 2026, mas alertou que núcleos, energia, alimentos e El Niño continuam produzindo riscos relevantes.

Comentário: Inflação corrente autoriza o corte. Expectativas acima da meta limitam o compromisso com uma sequência. O Banco Central precisa aliviar a atividade sem validar a impressão de que aceita convergência lenta demais.

Petróleo sobe porque a diplomacia ainda não abriu Ormuz

A "última chance" de Trump não colocou os navios de volta na rota.

O petróleo recupera parte da forte queda anterior, com o WTI novamente acima de US$ 81.

Donald Trump afirmou que fez uma oferta de negociação ao Irã e que esta seria a última oportunidade para evitar uma nova escalada. Também disse esperar a reabertura integral do Estreito de Ormuz.

O problema é que o Irã nega negociações diretas, autoridades americanas minimizam a existência de uma rodada formal e o tráfego marítimo continua muito abaixo do normal.

Superpetroleiros sauditas ainda desviam pelo sul da África, enquanto as ameaças dos houthis permanecem.

Comentário: O mercado deixou de negociar o fim da guerra e passou a negociar a probabilidade do próximo ataque. Enquanto Ormuz continuar limitado, qualquer declaração mais agressiva pode devolver rapidamente o prêmio retirado na segunda-feira.

Treasuries voltam a subir com o petróleo

O alívio inflacionário dura enquanto o barril permite.

O Treasury de dez anos volta para a região de 4,70% depois do fechamento expressivo provocado pela queda do petróleo.

A curva americana continua dividida entre dados mais fracos de atividade e a preocupação de que o Fed esteja demorando para reagir às pressões inflacionárias.

Dirigentes dissidentes da última reunião defenderam pequenas altas preventivas, enquanto John Williams avaliou que a inflação deverá desacelerar ao longo do segundo semestre.

Comentário: O mercado aceita esperar, mas exige resultado. Se petróleo e inflação voltarem a acelerar, a paciência do Fed será novamente interpretada como risco de atraso, e a ponta longa será a primeira a cobrar.

Tesouro testa a demanda por NTN-B

O investidor recebe títulos longos justamente quando inflação e fiscal ainda dividem a curva.

O Tesouro oferta:

NTN-B 2031;

NTN-B 2037;

NTN-B 2050;

LFT 2032.

O leilão ocorre depois de um período de baixa colocação dos papéis indexados ao IPCA.

Também existe um vencimento expressivo de aproximadamente R$ 258 bilhões em NTN-B no dia 15 de agosto, o que pode gerar reinvestimento e influenciar a demanda.

Comentário: O leilão será um teste de apetite, não apenas de preço. Demanda forte pode ajudar a curva longa. Colocação fraca mostrará que o investidor ainda exige prêmio maior para assumir inflação e risco fiscal por décadas.

Palantir devolve força ao trade de inteligência artificial

Receita, lucro e guidance voltam a justificar valuations elevados.

As ações da Palantir avançam fortemente depois que a companhia elevou suas projeções.

O lucro ajustado por ação cresceu 156%, enquanto a receita com o governo americano dobrou para aproximadamente US$ 809 milhões.

A empresa atribuiu o desempenho à demanda por sua plataforma de inteligência artificial, que impulsionou a receita pelo 12º trimestre consecutivo.

Comentário: Valuation elevado não derruba uma ação sozinho. O problema aparece quando a expectativa cresce mais rápido que o resultado. Palantir mostrou que crescimento, margem e guidance ainda conseguem sustentar múltiplos exigentes.

AMD e SpaceX entram na próxima prova da tecnologia

Depois de Microsoft, Amazon e Palantir, o mercado cobra novas confirmações.

AMD e SpaceX divulgam resultados após o fechamento.

A AMD será avaliada pela demanda por chips, participação no mercado de aceleradores e capacidade de competir na infraestrutura de inteligência artificial.

A SpaceX apresenta seu primeiro balanço desde a abertura de capital, depois de acumular queda relevante desde o IPO e perder mais de metade do valor em relação à máxima.

Comentário: O trade de IA continua forte, mas deixou de ser indiscriminado. O mercado premia execução e pune promessa. Empresas com valuation alto precisam entregar crescimento suficiente para impedir uma compressão dos múltiplos.

Itaú assume o centro da temporada bancária

Depois da frustração do Santander, o banco mais rentável do setor precisa confirmar sua liderança.

O Itaú divulga resultado após o fechamento.

A expectativa é de lucro próximo de R$ 12,5 bilhões, alta de aproximadamente 8% na comparação anual.

Os principais pontos de atenção serão:

  • crescimento da carteira de crédito;
  • inadimplência;
  • provisões;
  • receitas com tarifas;
  • controle de despesas;
  • guidance para o segundo semestre.

Comentário: O mercado não espera apenas um lucro alto. Espera qualidade. Se o Itaú mostrar crescimento disciplinado, inadimplência controlada e margem preservada, reforçará a diferença em relação aos concorrentes que ainda enfrentam deterioração de crédito.

Gerdau pode ser o destaque entre as cíclicas

América do Norte e recuperação de margens sustentam a expectativa de forte crescimento.

A Gerdau divulga resultados após o fechamento, com expectativa de lucro próximo de R$ 1,48 bilhão, avanço de cerca de 71% na comparação anual.

A operação norte-americana deve continuar resiliente, enquanto a América do Sul pode apresentar recuperação de rentabilidade.

O mercado acompanhará volumes, preços realizados, custos e perspectivas para a demanda por aço.

Comentário: O resultado pode ser forte, mas a reação dependerá do futuro. Minério mais fraco ajuda custos, porém a atividade global e a concorrência com aço importado continuam limitando a visibilidade do setor.

Republicanos aumenta o isolamento de Flávio

A candidatura cresce nas pesquisas, mas não consegue ampliar a coalizão.

O Republicanos realiza sua convenção em meio à decisão sobre a posição na disputa presidencial.

A maioria dos diretórios estaduais indicou preferência pela neutralidade, dificultando a possibilidade de Tereza Cristina ocupar a vice de Flávio Bolsonaro.

O senador aparece tecnicamente empatado com Lula nas pesquisas, mas ainda enfrenta resistência dos principais partidos de centro.

Comentário: Intenção de voto e estrutura política são ativos diferentes. Flávio mostrou competitividade eleitoral, mas ainda precisa transformar apoio popular em palanques, alianças regionais e uma chapa capaz de ampliar sua presença no centro.

Nova operação do INSS devolve pressão ao noticiário político

A Polícia Federal investiga nova frente de lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal cumpre 18 mandados em mais uma etapa da Operação Sem Desconto.

A investigação busca apurar possível lavagem de dinheiro relacionada aos fatos já investigados no esquema de descontos indevidos sobre benefícios do INSS.

O episódio adiciona uma nova frente de desgaste político em um momento de campanha eleitoral e disputa apertada nas pesquisas.

Comentário: O impacto de mercado dependerá da capacidade da investigação de atingir agentes políticos ou estruturas do governo. Enquanto permanecer restrita ao campo policial, o efeito tende a ser limitado. Se avançar para o núcleo político, pode aumentar o prêmio eleitoral.

CSN tenta preservar valor no negócio de cimento

A companhia avalia vender o controle sem abandonar totalmente o ativo.

A CSN considera manter participação minoritária no negócio de cimento que está à venda.

Huaxin, um consórcio formado por Votorantim e Cementir, e a Polimix seguem entre os interessados. A proposta da Huaxin estaria próxima de R$ 12 bilhões.

A operação ganha importância depois do rebaixamento do rating da CSN para CCC+, que aumentou as preocupações com alavancagem, refinanciamento e liquidez.

Comentário: O mercado quer redução de dívida, não apenas reorganização societária. Manter uma participação pode preservar valorização futura, mas o principal critério será quanto caixa efetivamente entrará e quanto da alavancagem será abatido.

Radar Corporativo

BB Seguridade

Lucro próximo de R$ 2,15 bilhões e aprovação de aproximadamente R$ 3,85 bilhões em dividendos intercalares.

ISA Energia

Lucro regulatório caiu 32%, embora receita e Ebitda regulatórios tenham avançado.

Pague Menos

Lucro cresceu 41,6%, mas as vendas mesmas lojas frustraram as expectativas.

Marcopolo

Lucro recuou 14,7%, com queda também do Ebitda.

Movida

Aprovou emissão de R$ 1,14 bilhão em debêntures para gestão de passivos e pré pagamento de dívida.

Enel São Paulo

Área técnica da Aneel manteve a recomendação de caducidade da concessão.

Agenda do dia

Brasil

09h00: Produção industrial de junho.

11h00: Leilão de NTN-B e LFT.

11h00: Sabatina de Flávio Bolsonaro.

14h00: Entrevista de Lula.

Após o fechamento: Itaú, Gerdau, Prio, GPA, Iguatemi, RD Saúde, C&A e Tenda.

Exterior

09h30: Balança comercial dos Estados Unidos.

11h00: Relatório Jolts.

Após o fechamento: AMD e SpaceX.

Reunião entre representantes das big techs e a Casa Branca.

Visão para o trader

O pregão combina dado doméstico, Copom e temporada de balanços.

DI curto

Sensível à produção industrial e ao trade de setembro.

DI longo

Leilão de NTN-B e fiscal seguem como referências.

Dólar

Tende a responder ao petróleo, Treasuries e ajuste pré Copom.

Ibovespa

Bancos e ações domésticas podem reagir ao fechamento dos juros.

Petrobras e Prio

Recuperação do petróleo oferece suporte.

Itaú

Principal evento corporativo do dia na B3.

Gerdau

Expectativa elevada aumenta a exigência sobre o guidance.

Nasdaq

Palantir ajuda; AMD e SpaceX definem a continuidade no after market.

Leitura da mesa

Leitura: A indústria pode abrir a porta para setembro antes mesmo de o Copom cortar amanhã. O petróleo volta a subir porque Ormuz continua fechado, Palantir prova que valuation alto sobrevive quando o lucro entrega e o Tesouro testa a confiança nos títulos longos. Hoje, o trader negocia três coisas: o tamanho da desaceleração, a mensagem implícita do Copom e a capacidade dos balanços de justificar o preço das ações.