MORNING CALL - NOVA FUTURA
28 de outubro | Quarta-feira
ARGENTINA DIZ QUE FLÁVIO EMBARCOU AO EQUADOR; FOMC, FISCAL E BALANÇOS ENTRAM NO RADAR
O mercado chega à quarta-feira com atenções divididas entre a decisão de juros do Federal Reserve, a reorganização política brasileira e os próximos sinais da equipe econômica de Lula. No exterior, petróleo e tecnologia seguem no radar, enquanto os ativos domésticos buscam acomodação depois do choque pós-eleitoral.
FLÁVIO BOLSONARO DEIXA O BRASIL E EMBARCA PARA O EQUADOR
O governo argentino informou que Flávio Bolsonaro, a esposa e duas filhas ingressaram na Argentina na noite de terça-feira e embarcaram em voo privado para Guayaquil, no Equador. O destino final seria os Estados Unidos. A Polícia Federal cancelou seus passaportes após o descumprimento de uma ordem do STF. Trump afirmou que não teria problema com sua entrada nos EUA.
Comentário: A saída de Flávio do país abre uma disputa pelo comando da oposição, enquanto Tarcísio de Freitas defende uma oposição vigilante, com foco na responsabilidade fiscal e em medidas que melhorem a vida da população.
FOMC DECIDE JUROS HOJE ÀS 15H
O Federal Reserve deve manter a taxa de juros em 4,00%, mesmo após a inflação americana de setembro superar as expectativas. Kevin Warsh concede entrevista às 15h30, com investidores atentos aos sinais sobre uma possível elevação dos juros em dezembro.
Comentário: A decisão de manutenção é amplamente esperada. O foco passa a ser a comunicação de Warsh e a duração da pausa no aperto monetário, especialmente diante da pressão inflacionária do petróleo.
BRASIL BUSCA EQUILÍBRIO DEPOIS DO CHOQUE ELEITORAL
Depois da forte liquidação de segunda-feira, dólar e juros começaram a devolver parte dos excessos. O dólar fechou a terça-feira em R$ 5,350, queda de 0,97%, enquanto o DI Jan/29 recuou para 14,740%. O Ibovespa, porém, caiu mais 0,51%, encerrando aos 175.710 pontos.
Comentário: O mercado começou a corrigir os exageros do movimento pós-eleitoral, mas a ausência de sinalizações concretas para o fiscal e a futura equipe econômica mantém o prêmio de risco elevado.
FISCAL VIRA O PRINCIPAL TESTE DE CREDIBILIDADE DE LULA
O governo prepara medidas para reforçar o cumprimento da meta fiscal de 2027. A equipe econômica trabalha com a possibilidade de perseguir o centro da meta de superávit primário, de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB, além de discutir mudanças nas regras de despesas obrigatórias.
Comentário: O mercado espera sinais concretos sobre controle de despesas, trajetória da dívida e composição da equipe econômica. Sem essas respostas, o prêmio de risco tende a continuar elevado.
FAZENDA: ALCKMIN E FONTELES SEGUEM NO RADAR
Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles aparecem entre os nomes considerados para o comando da Fazenda. Lula iniciou conversas sobre a composição ministerial e alianças no Congresso, mas ainda não teria sondado formalmente os nomes para o novo ministério, segundo O Globo.
Comentário: A definição da equipe econômica será uma das primeiras sinalizações sobre a política fiscal do quarto mandato e a capacidade de articulação do governo com um Congresso mais alinhado à direita.
TESOURO CONTINUA ATUANDO NO MERCADO DE TÍTULOS
O Tesouro recomprou 3,81 milhões de NTN-B em leilão extraordinário e cancelou ofertas regulares de títulos públicos. A atuação ocorre depois da forte abertura das taxas de juros provocada pela reação à eleição.
Comentário: A intervenção ajudou a reduzir distorções na curva de juros. O mercado segue monitorando eventuais novas operações do Tesouro enquanto tenta encontrar um equilíbrio para os prêmios de risco.
PETRÓLEO VOLTA A PRESSIONAR O CENÁRIO EXTERNO
O Brent chegou a US$ 116 depois de o Wall Street Journal informar que os EUA alertaram países do Golfo sobre a possibilidade de novos ataques ao Irã após as eleições americanas de meio de mandato. Às 7h36, o Brent avançava 0,7%, a US$ 114,73, e o WTI subia 1,3%, a US$ 101,18.
Comentário: O petróleo adiciona pressão aos mercados e ao cenário inflacionário americano, justamente no dia da decisão do Fed.
NASDAQ MONITORA IA, MICROSOFT E ALPHABET
Os futuros do Nasdaq operam próximos da estabilidade, com o petróleo ofuscando os resultados acima do esperado da SK Hynix. Microsoft e Alphabet divulgam balanços após o fechamento dos mercados americanos.
Comentário: Os resultados das gigantes de tecnologia serão um teste para a confiança dos investidores na inteligência artificial, especialmente diante das preocupações com os custos e o financiamento dos investimentos em infraestrutura.
ANTHROPIC PREPARA IPO COM JPMORGAN
A Anthropic escolheu o JPMorgan para liderar a oferta destinada a investidores de varejo em seu IPO nos Estados Unidos, segundo fontes próximas ao tema. A criadora do Claude avalia reservar entre 15% e 20% das ações disponíveis para esse público.
Comentário: A operação mantém a inteligência artificial no centro das atenções do mercado, em um momento de maior questionamento sobre financiamento e retorno dos investimentos no setor.
B3 DIVULGA FLUXO ESTRANGEIRO APÓS TOMBO DA BOLSA
A B3 divulga o fluxo de investidores estrangeiros referente à segunda-feira, marcada pela forte queda pós-eleitoral. O indicador ganha relevância depois das entradas expressivas de recursos registradas após o primeiro turno.
Comentário: O dado ajudará a mostrar a participação dos investidores estrangeiros no movimento de liquidação e na reprecificação dos ativos brasileiros.
BC DIVULGA FLUXO CAMBIAL E PREPARA ROLAGEM DE SWAPS
O Banco Central divulga às 14h30 o fluxo cambial da semana passada. A autoridade monetária também informou que iniciará em 4 de novembro a rolagem dos contratos de swap cambial com vencimento em dezembro.
Comentário: O mercado acompanha o comportamento do câmbio e a atuação do BC depois da forte volatilidade do dólar nos primeiros pregões após a eleição.
PETROBRAS DIVULGA PRODUÇÃO E VENDAS DO TERCEIRO TRIMESTRE
A Petrobras apresenta após o fechamento seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre. Os dados operacionais antecedem a publicação do balanço financeiro da companhia.
Comentário: O relatório chega em um ambiente de volatilidade do petróleo e de reprecificação dos ativos brasileiros, com os investidores atentos aos fundamentos operacionais da estatal.
SANTANDER BRASIL FRUSTRA ESTIMATIVAS NO TERCEIRO TRIMESTRE
O lucro líquido gerencial do Santander Brasil no terceiro trimestre ficou abaixo das estimativas. O resultado chega em um momento de atenção à qualidade do crédito, provisões contra inadimplência e rentabilidade dos bancos.
Comentário: O mercado seguirá atento aos sinais de recuperação do retorno sobre o patrimônio e ao comportamento da inadimplência, em um cenário de juros elevados por mais tempo.
HYPERA ENTREGA LUCRO DE R$ 523,2 MILHÕES
A Hypera registrou lucro líquido de R$ 523,2 milhões no terceiro trimestre, ante R$ 456,1 milhões no mesmo período do ano anterior. A companhia apresentou crescimento de receita, favorecido pelas vendas no varejo farmacêutico.
Comentário: O resultado mostra avanço do lucro, enquanto o mercado acompanha a evolução das margens e das despesas comerciais da companhia.
MOVIDA SUPERA ESTIMATIVAS DE EBITDA
A Movida apresentou EBITDA do terceiro trimestre acima das expectativas. A companhia registrou melhora na precificação, ganho de participação de mercado e disciplina de custos.
Comentário: A evolução operacional ganha importância em um ambiente de juros elevados, especialmente diante da necessidade de acompanhar dívida, alavancagem e geração de caixa.
RAÍZEN E PORTO SUDESTE ENTRAM NO RADAR CORPORATIVO
Mubadala e FS avaliam a compra de dívida da Raízen, segundo fontes. Em outra operação, Trafigura e Mubadala suspenderam o processo de venda do Porto Sudeste.
Comentário: As movimentações colocam operações de dívida e decisões estratégicas entre os destaques corporativos do dia.
ISRAEL TEM ELEIÇÃO APERTADA E MERCADO REAGE
Benjamin Netanyahu abriu pequena vantagem sobre Gadi Eisenkot com metade dos votos apurados na eleição israelense. Nenhum dos dois apresenta um caminho claro para formar governo. O shekel e as ações israelenses registraram queda.
Comentário: A indefinição política adiciona incerteza ao cenário do Oriente Médio, que já enfrenta tensões envolvendo o Irã e os preços do petróleo.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
Indicadores e agenda
09h30: Estoques no atacado dos EUA
11h: Galípolo em reunião com a embaixadora do Reino Unido
14h30: Fluxo cambial semanal do BC
15h: Decisão de juros do FOMC
15h30: Coletiva de Kevin Warsh
Hoje pós-mercado: Petrobras, Alphabet, Microsoft, Intelbras e Motiva
Balanços: Klabin e Santander Brasil
Mercados internacionais às 7h36
S&P 500 Futuro: +0,1%
FTSE 100: -0,4%
CAC 40: -0,1%
Nikkei 225: +1,1%
Hang Seng: +0,2%
Shanghai SE Comp.: +0,9%
MSCI World: +0,5%
MSCI EM: -1%
Petróleo WTI: +1,3%, a US$ 101,18
Petróleo Brent: +0,7%, a US$ 114,73
Minério em Singapura: +0,8%, a US$ 90,20
Bitcoin: +1%, a US$ 81.445,56
Fechamento anterior no Brasil
Ibovespa: 175.710 pontos
Dólar: R$ 5,350
DI Jan/27: 13,642%
DI Jan/28: 14,360%
DI Jan/29: 14,740%
DI Jan/31: 14,850%
DI Jan/33: 14,905%
LEITURA DA MESA
O mercado brasileiro começou a corrigir parte dos excessos do choque eleitoral, mas a recuperação ainda não representa uma mudança estrutural de cenário. O fiscal continua sendo o principal teste de credibilidade do governo, enquanto a definição da equipe econômica e a capacidade de articulação com o Congresso permanecem no centro da formação de preços. No exterior, a decisão do Fed, o petróleo e os balanços das gigantes de tecnologia dividem as atenções. Para os ativos domésticos, o desafio segue sendo descobrir quanto do prêmio de risco pode ser devolvido e quanto permanecerá incorporado à curva de juros, ao câmbio e à bolsa.
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