MORNING CALL NOVA FUTURA
14 de outubro | Quarta-feira
CPI TESTA O FED, 6X1 VIRA VOTO E QUAEST PODE REDESENHAR O TRADE ELEITORAL
A quarta-feira concentra três gatilhos fortes para o trader: CPI americano às 9h30, possível votação acelerada da PEC do fim da escala 6x1 no Senado e Quaest depois do fechamento.
Lá fora, o Treasury de 10 anos recua para abaixo de 5,20%, enquanto o Brent volta à região de US$ 106. Aqui, pesquisas mais apertadas começaram a devolver parte da euforia eleitoral da semana passada, com Bolsa em correção, dólar novamente acima de R$ 5 e DI devolvendo prêmio.
9H30: CPI É O PRINCIPAL GATILHO GLOBAL
O CPI americano deve acelerar para 0,6% em setembro, contra 0,4% anteriormente. O núcleo, porém, é esperado em 0,2%, abaixo dos 0,3% de agosto.
Se o núcleo confirmar desaceleração, a tese de Fed parado em outubro continua forte. Se vier acima, dezembro ganha ainda mais peso e os Treasuries podem reabrir rapidamente.
TREASURY ABAIXO DE 5,20% DÁ RESPIRO
Os yields americanos recuam antes do CPI, trazendo algum alívio para emergentes e ativos de risco.
Mas o mercado entra leve antes do dado. Poucos décimos de surpresa na inflação podem mudar completamente o desenho da curva americana.
BRENT VOLTA PARA US$ 106
O petróleo sobe novamente com escalada dos ataques no Oriente Médio e risco de interrupção no fluxo de energia.
Para Petrobras, barril forte ajuda. Para inflação e juros globais, joga na direção contrária.
Energia continua sendo o principal risco para quem aposta em bancos centrais mais dovish.
6X1 PODE SER VOTADA EM DOIS TURNOS
O Senado pode acelerar a tramitação e concluir os dois turnos da PEC ainda nesta semana.
Flávio Bolsonaro mudou de posição e afirmou que apoiará a proposta, embora aliados ainda falem em revisão futura.
A pauta deixou de ser apenas eleitoral. Agora começa a entrar na conta de custo do trabalho, produtividade, inflação e atividade.
PODERDATA APERTA A DISPUTA QUAEST VEM À NOITE
O PoderData/Aya mostrou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, reduzindo a diferença anterior.
A BTG/Nexus também trouxe uma disputa mais apertada. Hoje, a Quaest será o próximo teste.
Depois de uma semana inteira negociando vantagem mais confortável de Flávio, pesquisas mais próximas aumentam muito a sensibilidade dos ativos.
DI DEVOLVE PARTE DO RALI
Os contratos longos abriram quase 30 pontos-base ontem, interrompendo seis sessões consecutivas de forte fechamento.
Jan/29 terminou em 12,505%, Jan/31 em 12,515% e Jan/33 em 12,625%.
A curva mostrou o risco de um mercado muito posicionado. Quando a expectativa muda pouco, o preço pode mudar muito.
DÓLAR VOLTA PARA CIMA DE R$ 5
A moeda subiu 0,71% e fechou em R$ 5,0204, mesmo com o dólar enfraquecendo no exterior.
Isso mostra que a correção foi essencialmente doméstica.
R$ 5 continua sendo o divisor de águas: abaixo, melhora de risco e fluxo; acima, proteção e realização voltam para a mesa.
IBOVESPA CORRIGE PARA 206,9 MIL
O índice caiu 1,04%, aos 206.887 pontos, com bancos liderando a realização e Petrobras ajudando a limitar as perdas.
Depois do rali histórico da semana passada, o mercado ficou mais sensível.
Quanto maior o posicionamento, menor precisa ser a notícia para provocar correção.
9H: SERVIÇOS TESTAM A ATIVIDADE
O mercado espera alta de 0,5% no volume de serviços em agosto, depois da estabilidade de julho.
Mesmo com alguma recuperação mensal, a expectativa continua sendo de desaceleração gradual da economia.
Dado moderado ajuda a tese de Selic menor. Surpresa forte pode recolocar resistência na curva curta.
14H30: FLUXO CAMBIAL MOSTRA O DINHEIRO DO PÓS-ELEIÇÃO
O BC divulga o fluxo cambial da semana posterior ao primeiro turno, período marcado por entrada forte de recursos nos ativos brasileiros.
O dado ajuda a responder quanto do rali foi narrativa e quanto foi dinheiro efetivamente entrando no país.
Depois do movimento explosivo, a pergunta agora é quanto estrangeiro ainda tem para comprar.
VENCIMENTO DE OPÇÕES AUMENTA O RUÍDO DA B3
A sessão também tem vencimento de opções sobre Ibovespa.
Com CPI, política, pesquisa e 6x1 no mesmo dia, o vencimento pode aumentar bastante a volatilidade intradiária.
Hoje, fluxo técnico pode produzir movimentos que não necessariamente significam mudança de fundamento.
BANCOS AMERICANOS CONTINUAM NO RADAR
Bank of America, Morgan Stanley e BlackRock divulgam resultados.
Os primeiros balanços já mostraram um mercado atento a provisões, crédito e desaceleração de algumas linhas de receita.
Se o crédito começar a deteriorar, Wall Street passa a discutir não apenas inflação, mas quanto os juros altos já estão cobrando da economia.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
- 9h: serviços no Brasil
- 9h30: CPI dos EUA
- CPI esperado: +0,6%
- Núcleo esperado: +0,2%
- Treasury 10Y: abaixo de 5,20%
- Brent: região de US$ 106
- 11h30: rolagem de swaps
- 14h30: fluxo cambial
- Hoje: votação da PEC 6x1
- Hoje: vencimento de opções sobre Ibovespa
- Depois do fechamento: Quaest
- Dólar: R$ 5,0204
- Ibovespa: 206.887 pontos
- DI Jan/29: 12,505%
- DI Jan/31: 12,515%
LEITURA DA MESA
“Hoje macro, política e fluxo técnico podem bater ao mesmo tempo. O CPI define o tom dos juros globais, a 6x1 testa Brasília e a Quaest mede se o trade eleitoral realmente começou a perder força. Depois da euforia da semana passada, o mercado está mais vulnerável. Hoje não basta acertar o cenário é preciso identificar qual gatilho está comandando o preço.”
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