NOVA FUTURA | MORNING CALL
8 de outubro de 2026 | Quinta-feira
PoderData mostra 53 a 47, fiscal de R$ 250 bi entra no preço e Brent volta a US$ 105
A quinta começa com o mercado brasileiro ainda dominado pela eleição, mas o debate mudou de qualidade. PoderData/Aya mostra Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos e Lula com 47% no segundo turno, enquanto o Datafolha chega às 18h45 para testar se a vantagem aparece também em outro levantamento.
Ao mesmo tempo, começam a circular números mais concretos para uma eventual agenda fiscal de Flávio: até R$ 250 bilhões de ajuste, segundo a Folha, embora a própria campanha ressalve que conversas e especulações não representam posição oficial. Lá fora, o Brent dispara para a região de US$ 105 e os Treasuries voltam a subir.
PODERDATA: FLÁVIO 53% X LULA 47%
Primeira pesquisa desta rodada mostra vantagem de seis pontos nos votos válidos.
O PoderData ouviu 3.000 eleitores entre 5 e 7 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual, segundo os dados fornecidos.
Hoje, às 18h45, vem o Datafolha; amanhã, AtlasIntel.
Comentário: Depois do erro das pesquisas no primeiro turno, o mercado vai procurar confirmação.
Um instituto produz movimento. Dois ou três contando história parecida começam a mexer na convicção.
R$ 250 BI: FISCAL FINALMENTE GANHA NÚMERO
Folha relata estudo para ajuste equivalente a aproximadamente 2% do PIB.
Entre as medidas citadas estão mudanças na correção da Previdência e do BPC, revisão dos pisos de saúde e educação e outras alterações em despesas obrigatórias.
Mas há uma ressalva importante: a campanha afirmou que conversas informais e interpretações de terceiros não devem ser tratadas como posição oficial.
Comentário: Essa é a informação que o mercado vinha esperando desde segunda.
Rali eleitoral trabalha com expectativa. Rali fiscal precisa de número, desenho e viabilidade política.
A DISCUSSÃO AGORA É: DÁ PARA APROVAR?
Uma eventual “Super PEC” exigiria forte articulação no Congresso.
Os materiais citam medidas de grande alcance sobre despesas obrigatórias, administração pública e vinculações constitucionais.
O desafio deixa de ser apenas montar a planilha e passa a ser formar maioria suficiente para aprová-la.
Comentário: Aqui está a próxima fase do trade:
R$ 250 bilhões chamam atenção. Quantos votos sustentam esses R$ 250 bilhões é o que define credibilidade.
BRENT DISPARA PARA US$ 105
Petróleo sobe quase 5% com nova escalada geopolítica.
O mercado reage a relatos sobre possíveis opções militares contra o Irã, ataque a petroleiro no Golfo Pérsico, alta dos fretes e interrupção de parte da produção no Golfo do México.
O Brent girava em torno de US$ 105,14 pela manhã.
Comentário: Esse movimento importa muito.
O petróleo acabou de devolver para o Fed uma parte da inflação que o PCE tinha ajudado a retirar da mesa.
ATA DO FED CONFIRMOU: OUTUBRO PODE PARAR, DEZEMBRO NÃO
Maioria dos dirigentes considera apropriada mais uma alta de juros neste ano.
A ata mostrou apoio ao aperto de setembro e manteve a leitura predominante de pausa em outubro e possível nova alta em dezembro.
Também apareceu preocupação com energia, IA e uma taxa neutra potencialmente mais elevada.
Comentário: A ata não mudou o roteiro.
O problema é que petróleo a US$ 105 começa a mexer justamente no capítulo que parecia mais previsível.
TREASURY VOLTA A SUBIR
Juros americanos avançam nesta manhã com petróleo e inflação novamente no radar.
Ontem o 10 anos chegou a 5,36%, maior nível desde 2002, antes de fechar perto de 5,28%.
Hoje os yields voltam a subir.
Comentário: Para o Brasil, essa é a trava externa.
O fiscal doméstico pode retirar prêmio; Treasury alto impede que essa retirada seja infinita.
11H: TESOURO TESTA O NOVO PATAMAR DOS JUROS
Oferta de LTNs 2028, 2029 e 2032 e NTN-Fs 2031, 2033 e 2037.
O leilão ocorre depois de uma queda muito forte dos DIs desde o primeiro turno.
Comentário: Hoje o Tesouro ajuda a responder uma pergunta importante:
existe demanda real por prefixado nesses níveis ou a curva correu mais rápido que o investidor?
DI RESISTIU À CORREÇÃO DOS OUTROS ATIVOS
Mesmo com Bolsa caindo e dólar voltando acima de R$ 5, curva quase não abriu.
Jan/31 fechou em 12,60% e Jan/33 em 12,75%, após o grande fechamento ocorrido desde segunda-feira.
Comentário: Esse comportamento merece atenção.
Quando Bolsa realiza e câmbio corrige, mas DI segura, o mercado está dizendo que ainda acredita em alguma retirada estrutural de prêmio.
DÓLAR VOLTA ACIMA DE R$ 5
Moeda fechou em R$ 5,0112 depois de três sessões de forte reprecificação.
Parte do fluxo estrangeiro já foi absorvida, enquanto o exterior voltou a favorecer o dólar e o risco político doméstico ganhou novos capítulos.
Somente na segunda-feira, a entrada estrangeira na B3 foi de R$ 10,06 bilhões, segundo o material.
Comentário: R$ 5 continua sendo a referência.
Abaixo dele, o mercado negocia continuidade do rali. Acima dele, começa a testar quanto da euforia já estava antecipada.
6X1 VOLTA A INCOMODAR O MERCADO
Governo tenta acelerar o calendário da PEC antes do segundo turno.
Há articulação para encurtar o intervalo regimental entre as votações, mas o cronograma continua incerto.
Flávio e aliados trabalham para desacelerar a tramitação ou alterar o texto.
Comentário: O DI olha menos para o discurso eleitoral e mais para impacto potencial.
Quanto mais rápido uma medida relevante chega perto da votação, mais rápido ela começa a ganhar preço.
9H30: EMPREGO AMERICANO SEGUE NO RADAR
Pedidos semanais de auxílio-desemprego são esperados em 200 mil.
Depois do payroll fraco, o mercado acompanha se os sinais de moderação do trabalho continuam aparecendo.
Comentário: Sozinho, esse dado dificilmente muda o Fed.
Mas emprego mais fraco ajuda a compensar exatamente o risco contrário que o petróleo está trazendo para a inflação.
RADAR DIRETO PARA O TRADER
PoderData: Flávio 53% x Lula 47% nos votos válidos.
18h45: Datafolha.
Amanhã: AtlasIntel.
Fiscal: estudo citado de até R$ 250 bi.
Brent: região de US$ 105.
Treasury: yields voltando a subir.
8h: IPC-S.
8h30: ata do BCE.
9h: indústria regional.
9h30: auxílio-desemprego EUA.
11h: leilão de prefixados.
11h30: rolagem de swaps.
12h: compromissadas do BC.
Dólar: voltou para cima de R$ 5.
DI Jan/31: 12,60%.
DI Jan/33: 12,75%.
LEITURA DA MESA
Hoje a eleição continua sendo o motor, mas o mercado ganhou duas contas novas para fazer. A primeira é doméstica: PoderData mostra 53 a 47 e começam a aparecer números concretos para um eventual ajuste fiscal. A segunda vem de fora: Brent dispara para US$ 105 e Treasury volta a subir. Até aqui, o trade brasileiro viveu de retirada de prêmio. Daqui para frente, ele precisa provar que consegue entregar fundamento mais rápido do que o exterior devolve risco.
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