Call diário 11/5

Tempo de leitura: 4 min.

Resumo do dia 11/05

Fracasso nas negociações reacende tensão global

Explicação: O mercado volta a operar sob pressão após Trump classificar como “totalmente inaceitável” a nova proposta do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. O Brent voltou acima de US$ 103 e Ormuz segue fechado, mantendo o risco de choque energético global.

Comentário: O mercado tentou acreditar numa paz rápida. Agora percebe que o conflito entrou numa fase muito mais longa e imprevisível.

Impacto:

Petróleo volta a pressionar inflação
Juros globais sobem
Bolsas perdem força


Petróleo volta ao centro do mercado e ameaça BCs

Explicação: O Brent sobe mais de 2%, superando US$ 103, com temor de prolongamento do fechamento do Estreito de Ormuz. Bancos e petroleiras já discutem risco de normalização apenas em 2027 caso o bloqueio persista.

Comentário: O petróleo deixou de ser um evento temporário. Está virando variável estrutural para inflação e juros.

Impacto:

Pressão inflacionária global
Redução da chance de cortes de juros
Commodities seguem dominando o mercado


Mercado começa a revisar novamente a Selic para cima

Explicação: Casas como Armor Capital e Capital Economics elevaram projeções para a Selic terminal, citando petróleo alto, inflação persistente e atividade ainda aquecida.

Comentário: O mercado já começa a aceitar que o ciclo de cortes perdeu força de novo.

Impacto:

Curva de juros mais pressionada
Crédito mais caro
Bolsa perde sustentação estrutural


Wall Street perde embalo após recordes

Explicação: Futuros em NY operam de lado, mesmo após máximas recentes do Nasdaq e S&P500. O mercado começa a recalibrar posições diante do novo avanço do petróleo e dos yields globais.

Comentário: A narrativa da IA ainda segura Wall Street… mas petróleo acima de 100 começa a incomodar.

Impacto:

Volatilidade maior em tech
Redução parcial do apetite por risco
Sensibilidade elevada a geopolítica


Dólar abaixo de R$ 4,90 coloca BC novamente no radar

Explicação: O real continua forte após o payroll americano resiliente e o fluxo para emergentes. O mercado já especula nova intervenção do BC via swap reverso após a operação inédita da semana passada.

Comentário: O BC claramente não ficou confortável com o dólar tão baixo tão rápido.

Impacto:

Câmbio mais controlado
Real segue forte no curto prazo
Mercado monitora atuação do BC


Payroll forte reduz medo de recessão, mas não ajuda cortes

Explicação: Os EUA criaram 115 mil vagas em abril, quase o dobro do esperado, enquanto salários vieram moderados. O dado afastou medo de hard landing, mas também reduz pressão imediata por cortes do Fed.

Comentário: O payroll foi “bom demais” para quem queria corte rápido de juros.

Impacto:

Fed continua confortável em esperar
Juros americanos seguem elevados
Dólar mantém sustentação global


Semana decisiva para inflação no Brasil e nos EUA

Explicação: O mercado acompanha nesta semana IPCA e CPI americano, além de relatórios da OPEP e AIE sobre estoques de petróleo. O choque energético aumenta o peso dos dados inflacionários.

Comentário: Essa semana pode redefinir completamente a narrativa de juros para o segundo semestre.

Impacto:

Forte volatilidade nas curvas
Reprecificação de expectativas
Direcional para Fed e Copom


Trump leva guerra do Irã para mesa com Xi Jinping

Explicação: Trump visitará Pequim nesta semana para discutir Irã, semicondutores, IA, Taiwan e comércio. Será a primeira visita de um presidente americano à China em quase uma década.

Comentário: A guerra virou tema global. Agora mistura petróleo, China, tecnologia e geopolítica numa única negociação.

Impacto:

Sensibilidade global aumenta
Commodities e tecnologia entram no centro da disputa
Mercados atentos a qualquer sinal diplomático


Fluxo estrangeiro sai da bolsa brasileira

Explicação: Mesmo com dólar abaixo de R$ 5, houve saída líquida de mais de R$ 10 bilhões da B3 em apenas dez dias, refletindo migração para techs asiáticas e cautela com guerra e fiscal brasileiro.

Comentário: O real forte está vindo mais do carry do que da bolsa.

Impacto:

Ibov perde sustentação
Menor volume negociado
Fluxo mais seletivo


Petrobras vira protagonista da temporada de balanços

Explicação: Petrobras divulga resultado hoje após o fechamento, com expectativa de lucro forte impulsionado pelo petróleo elevado e foco total do mercado em dividendos e capex.

Comentário: Petrobras virou uma das maiores teses globais de guerra via commodity.

Impacto:

Forte impacto no Ibov
Relevância para fluxo estrangeiro
Mercado atento à política de dividendos


STF reacende tensão política com decisão sobre Bolsonaro

Explicação: Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da lei da dosimetria que reduziria penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro. A oposição acusa interferência do STF sobre o Congresso.

Comentário: Brasília volta a produzir ruído político pesado justamente em semana crítica para inflação e juros.

Impacto:

Aumento da tensão institucional
Mais ruído político
Potencial impacto em risco local


Debate sobre meta de inflação volta ao radar

Explicação: Setores do PT voltaram a defender revisão da meta de inflação de 3%, argumentando que juros menores exigiriam meta mais flexível. Parte do mercado teme perda de credibilidade do regime monetário.

Comentário: Mexer na meta agora seria visto pelo mercado como abandono de disciplina.

Impacto:

Pressão sobre expectativas
Curva longa mais inclinada
Maior prêmio de risco


Resumo de mesa

Guerra voltou a pressionar petróleo e inflação
Ormuz segue fechado e o mercado perde confiança na diplomacia
Selic terminal começa a subir novamente nas projeções
Wall Street perde força após recordes
Dólar abaixo de R$ 4,90 coloca BC no radar
Petrobras domina atenção do mercado hoje
Política brasileira adiciona ruído institucional

O mercado entrou novamente em modo: guerra prolongada + petróleo alto + juros elevados + volatilidade estrutural

Deixe um comentário